ZeideI survived only to tell
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Projeto Zeide — a história de Mojsie Izrael Stobiecki

This notebook is in Portuguese, as written during the research. Translation follows in stages, after the first published version.

File
README.md
Updated
2026-09-02
Terms of use
Written by the family with AI assistance, August–September 2026. The site's source of truth.

Mojsie Izrael Stobiecki · Kalisz, Polônia, 12/12/1914 — São Paulo, 18/10/2000

Sobrevivente da Shoá. Único sobrevivente do seu núcleo familiar. Entrevistado em 25 de novembro de 1997, em São Paulo, pela Survivors of the Shoah Visual History Foundation — entrevista 35919, 2h17min, em português, conduzida por Ita Liberman.


O que tem aqui#

Zeide/
├── CATALOGO-DOS-ACHADOS.md                                    ← cada achado, documentado e ligado às falas
├── BRIEFING-INTERNO.md                                        ← estado do projeto e backlog
├── 19971125 - Survivors of the Shoah - Mojsie Stobiecki.wmv   ← a entrevista (2h17, original)
├── 19971125 - Survivors of the Shoah - Mojsie Stobiecki.mp4   ← a mesma, em formato moderno
├── 19971125 - Survivors of the Shoah - Mojsie Stobiecki.txt   ← ficha da Shoah Foundation
├── Holocaust Survivor - Mojsie Stobiecki.pdf                  ← apresentação do bisneto
│
├── transcricao/     A entrevista em texto
│   ├── 00-como-ler.md      critérios: o que foi corrigido e o que não foi
│   ├── 01-verbatim.md      o que ele disse, como disse — o documento histórico
│   ├── 02-revisada.md      o mesmo em português corrigido, mesmos timestamps
│   ├── 03-indice.md        índice temático + cronologia por fita
│   └── mojsie-1997.srt     legendas, para abrir junto com o vídeo
│
├── cronologia/
│   └── linha-do-tempo.md   1914–1950, com a fonte de cada linha marcada
│
├── contexto/        Dossiê histórico — 17 arquivos, um por momento
│   └── 00-indice.md        comece por aqui
│
├── fontes/
│   ├── dados-biograficos.md   referência canônica de nomes, datas e grafias
│   └── fotos/                 as fotos e documentos do PDF, extraídos e legendados
│
└── pesquisa/
    ├── achados.md          o que a pesquisa encontrou, e o que não
    ├── proximos-passos.md  o que dá para fazer a seguir, em ordem de viabilidade
    ├── pedidos-prontos.md  pedidos formais aos arquivos, prontos para copiar e enviar
    ├── pendencias-da-familia.md  checklist do que só a família pode fazer
    └── docs/               documentos recuperados (fichas do Arolsen, artigo, etc.)

Por onde começar#

Se você quer...Vá para
Ver cada achado documentado e ligado às falas deleCATALOGO-DOS-ACHADOS.md
Ouvir a história deletranscricao/02-revisada.md
Ouvir a voz deletranscricao/01-verbatim.md
Assistir com legendaso .mp4 na raiz + transcricao/mojsie-1997.srt
Achar um momento no vídeotranscricao/03-indice.md
Ver as fotos e os documentosfontes/fotos/README.md
Entender a ordem dos fatoscronologia/linha-do-tempo.md
Entender o mundo em voltacontexto/00-indice.md
Saber onde a família morreucontexto/12-destino-judeus-kalisz.md
Ver o que a pesquisa descobriupesquisa/achados.md
Fazer alguma coisa a respeitopesquisa/proximos-passos.md
Enviar os pedidos aos arquivos (texto pronto)pesquisa/pedidos-prontos.md
Ver o que só a família pode fazer (captcha, login, outra rede)pesquisa/pendencias-da-familia.md
Retomar o trabalho de onde parouBRIEFING-INTERNO.md

O arco, em sete linhas#

Nasce em Kalisz em 1914, filho de um comerciante de confecções. Militante do Beitar, sonha em emigrar para a Palestina e não vai — "não deu mais tempo". Serve o exército polonês em 1937–38 e é convocado de novo em 1939. Na retirada, passa pela própria cidade e vê o pai pela última vez na rua. Volta a pé, 400 km, e encontra a família viva. Propõe que fujam todos; os pais recusam. Ele parte sozinho para Białystok — e semanas depois começam as expulsões de Kalisz.

Preso numa batida soviética, é deportado num trem de dois meses. Passa quatro anos entre campos de trabalho, Sibéria e Ásia Central. Em Tashkent, recusa-se a barrar judeus de uma fila de comida, é preso, julgado — e ganha. Entra no exército polonês sob comando soviético, é ferido em combate e volta à Polônia com a tropa. Em 1944, entra em Majdanek e dorme nas barracas — sem saber que a família fora morta ali. Descobre em 1945, por uma vizinha, em Kalisz.

Vai embora da Polônia com um pacote de cigarros e um litro de vodca. Um ano na Alemanha ocupada — onde declara, no formulário de refugiado, que quer ir para a Palestina. Paris, dois anos, aprendendo a fazer calças. Santos, 6 de dezembro de 1947, no vapor Groix, terceira classe, "alfaiate", seis dias antes de fazer 33 anos. São Paulo, clientela, uma carroça. Em 3 de junho de 1950, casa com Clara. Morre em 2000, aos 85, com três filhos e nove netos.

"1 Holocaust survivor → 23 new lives", como escreveu o bisneto na apresentação da escola.


O que a pesquisa de 30/08/2026 devolveu à família#

O nome do irmão caçula: MAJER. Em [127:50], olhando a foto de 1938, ele diz: "meu irmão mais novo — fala a verdade, não me lembro o nome dele." O nome foi recuperado por duas fontes independentes: o cartão de registro de moradores da família (Kalisz, 1934 — hoje no Arquivo Estatal de Kalisz) lista "Majer, 16/01/1929, Kalisz"; e a ficha da entrevista na Shoah Foundation indexa "Mayer". E a fala dele, ouvida de novo, sempre esteve certa: "do menor a diferença era muito grande, sete, oito anos" — Szyja nasceu em 1922, Majer em 1929. Majer tinha dez anos quando a família foi deportada.

Uma irmã que ninguém sabia que existiu: FRANIA. O mesmo cartão lista uma quinta criança — Frania, nascida em 3 de fevereiro de 1917, morta em agosto de 1930, em Kalisz, aos 13 anos. Ela morreu antes da guerra; Mojsie nunca a mencionou na fita, e nenhuma memória da família a registrava. O cartão devolveu o nome dela também.

O que aconteceu com Marisha. A vizinha disse que a irmã estava fora do campo e que talvez tivesse se casado e ido para a Rússia. "Até hoje não tem nenhuma informação." Ele procurou, inclusive em Israel. Morreu sem saber. (Pista nova: em 1967 o serviço internacional de rastreamento abriu um dossiê sobre ele — pode ser o registro de uma busca; a família pode solicitá-lo.)

E mais respostas que chegaram: o sobrenome de solteira da mãe — que só existia como um som incerto na fita — foi confirmado por documento: GRODANS (na ficha de deslocado que o próprio Mojsie preencheu na Alemanha em 1946, com o destino que ele então declarou querer: Palestina). O navio que o trouxe: o vapor francês Groix, com o nome dele na lista de bordo. O endereço de Kalisz que ele diz na entrevista, confirmado no livro de endereços de 1929. Tudo documentado em pesquisa/achados.md e pesquisa/docs/.


Método#

Três regras seguidas em todos os arquivos:

  1. O que é dele está marcado como dele, com o timestamp. O que é história está marcado como história, com fonte. O que é dedução está marcado como dedução.
  2. Nada foi chutado. Trechos e nomes incertos aparecem como [?], inclusive quando um palpite seria plausível.
  3. As contradições dele foram preservadas, não alisadas. Ele tinha 83 anos e avisa duas vezes que se confunde. Onde a memória não fecha com o registro histórico, os dois estão lado a lado.

Transcrição e pesquisa: agosto de 2026. Última rodada: 30/08/2026 — sobrenome da mãe confirmado (Grodans), candidato ao nome do caçula (Mayer), trajetória 1945–46 documentada nos Arolsen Archives.