Documento de passagem de bastão. Não é para a família: é para quem (pessoa ou agente) for continuar o trabalho. Assume leitura fria, sem contexto prévio.
HANDOFF (01/09/2026): Etapa 1 (transcrição) · Etapa 2 (pesquisa, catálogo D01–D19) · Etapa 3 (site): definição completa (34 decisões em
site/docs/03-decisoes-abertas.md) e O SITE ESTÁ COMPLETO: v1+v2+v3 implementados (21 páginas PT/EN + calendario.ics) — Entrevista, Jornada, Memorial (com os 12 clipes de voz), Mapa, Arquivo, Pessoas, Não-sabemos, Guia, Sobre, prólogo, som da fita, busca global. Código emsite/(gerador Node puro, zero deps — decisão 34); dados curados emsite/build/data/*.mjs; processo nos diáriossite/docs/13/14/15-diario-v*.md; operação emsite/README.md. Rodar:node site/build/build.mjs+node site/build/serve.mjs. PRÓXIMOS PASSOS: (a) Flavio: deploy VPS (README) + DNS + GA + teste com a família (ritual 10 §D-F; checklist no 15) + 2ª cópia dos vídeos (09); (b) pós-gravação das filhas: pipeline §5 → "As filhas contam"; (c) v4/backlog: área da família (árvore com vivos, B10), transcrição EN, offline.zip, P7 prêmios. Leia: este briefing →CATALOGO-DOS-ACHADOS.md→site/docs/00…15→site/README.md. Regras de ouro no §4 e os erros a não repetir no §6 (inclui os da fase de pesquisa, §6.6+). Git: remotegit@github.com:fpripas/zeide.git(vídeos FORA do git — ver.gitignore). Auto-commit ativo: um hook Stop em.claude/settings.jsonfazadd+commit+pushde qualquer alteração ao fim de cada turno (mensagem "auto: fim de turno …"). Não crie commits manuais redundantes; para um commit com mensagem descritiva, faça-o você antes do fim do turno e o hook não terá nada a commitar. Chave SSH do repo:~/.ssh/zeide_github(viacore.sshCommand).Estado em 30/08/2026. Etapas 1 (transcrição) e 2 (pesquisa histórica) concluídas; rodada de aprofundamento de 30/08 concluída (passada dirigida na transcrição + pesquisa documental — ver
pesquisa/achados.md, "Rodada de 30/08/2026"). Os resultados-chave dessa rodada: (1) o cartão de registro da família foi encontrado (AP Kalisz, 1934): o caçula era MAJER (n. 16/01/1929) — nome recuperado com dupla confirmação (cartão + ficha VHA) —, e havia uma quinta filha, Frania (1917–1930), que nenhuma memória registrou; datas de todos os irmãos, avós e tios documentados (o tio Rafał Ber ≈ o Rafu do Yad Vashem, quase provado); (2) sobrenome da mãe CONFIRMADO por documento: Regina GRODANS (ficha DP de 1946, Arolsen), nascida em Dobra, filha de Dawid Majer e [Marja] Szajniak; (3) o navio: vapor GROIX, confirmado nominalmente na lista de bordo de Santos, 06/12/1947; (4) o endereço confirmado: "Stobiecki H., Nadwodna 12" no livro de endereços de 1929 (Nadwodna = Parczewskiego pós-1937) — o slide 3 do PDF aponta outro prédio; (5) trajetória 1945–46 documentada (Kalisz → Heidenheim → Stamsried, destino desejado "Palestina"); (6) o documento tido como "ketubá de 1950" é um noivado (tenaim) europeu pré-guerra; (7) a deportação de Kalisz agora tem a lista dos dez trens (02–14/12/1939, 15.862 pessoas). Efeito colateral: o mapeamento da foto de 1938 foi parcialmente reaberto (Majer tinha 9 anos e não pode ser um dos rapazes em pé) — verfontes/dados-biograficos.md.
1. O que é o projeto#
Organizar a história de Mojsie Izrael Stobiecki (Kalisz, Polônia, 12/12/1914 — São Paulo, 18/10/2000), sobrevivente da Shoá, único sobrevivente do seu núcleo familiar, a partir da entrevista em vídeo de 2h17 que ele deu à Survivors of the Shoah Visual History Foundation em 25/11/1997 (entrevista 35919).
Usuário: Flavio Pripas, neto de Mojsie (por uma das filhas). Pai do bisneto autor da apresentação escolar que é uma das fontes do projeto.
Etapa 3 ainda não iniciada e não definida. O usuário disse "iremos usar tudo isso depois". Na primeira conversa ele optou por "ainda não sei / discutir depois" quanto ao formato final. Minha recomendação registrada foi: arquivo digital navegável (não livro), porque é o único formato que segura os timestamps do vídeo e é o que se compartilha com 23 descendentes entre Brasil e Israel. Não decidir isso sozinho.
2. Fontes primárias disponíveis#
| Arquivo | O que é | Observações |
|---|---|---|
19971125 - ... .wmv | A entrevista, 8236,675 s (2h17m17s), 768×576, wmv3/wmav2 | 1,1 GB. Formato morto: nenhum navegador toca |
19971125 - ... .mp4 | A mesma entrevista transcodificada (H.264/AAC, desentrelaçada, faststart) — backlog A5, feito em 30/08/2026 | 1,25 GB; duração idêntica ao WMV; pronto para web/player com o .srt |
19971125 - ... .txt | Ficha da Shoah Foundation | 12 linhas; dados do slate |
Holocaust Survivor - Mojsie Stobiecki.pdf | Apresentação escolar do bisneto, 14 slides, Google Slides | Fotos e documentos extraídos para fontes/fotos/ (B3, feito em 30/08) |
fontes/fotos/ | 19 imagens extraídas do PDF, nomeadas e legendadas | Ver o README.md de lá — inclui a reidentificação do "slide 8": é tenaim pré-guerra, não a ketubá |
pesquisa/docs/ | Documentos recuperados na pesquisa de 30/08 | Ficha A.E.F. DP de 1946 (a prova do "Grodans"), listas de Heidenheim/Stamsried, registro WJC 1945, fichas de Tauba Stobiecka, artigo Acta Humanitatis (PDF), Yizkor pp. 275–293 |
| — | Carteira de admissão no Brasil (1948) | Extraída em alta: fontes/fotos/slide07-carteira-admissao-1948.jpg |
| — | Ficha pública USC VHA da entrevista 35919 | https://vha.usc.edu/testimony/35919 — índice minuto a minuto, nomes indexados (Mayer!, Ruchel, Sala), still. vhaonline.usc.edu está com TLS quebrado; usar vha.usc.edu |
O que há no PDF, slide a slide#
| Slide | Conteúdo | Valor |
|---|---|---|
| 1 | Mojsie e Clara com bebê (capa) | — |
| 2 | Nascimento em Kalisz | Contém erro: "December, 12th 2014"; correto é 1914 |
| 3 | Foto de Herz na porta da loja + Street View do mesmo prédio hoje | Localiza o endereço em Śródmiejska 14 (conflita com a entrevista — ver §8) |
| 4 | Foto de família "KALISZ, 25-7-1938" + retrato de estúdio de Mojsie jovem | A peça mais importante. Mapeamento em fontes/dados-biograficos.md |
| 5 | Mapa 2ª Guerra: Kalisz → Białystok → leste | — |
| 6 | Mapa 1945: Polônia → França | — |
| 7 | Mapa 1947 + carteira de admissão + foto de chegada de imigrantes | Documento-chave; ver contexto/16-brasil-imigracao.md |
| 8 | Ketubá de 1950 (hebraico, manuscrita) + foto do casamento | Não traduzida. Pode conter nomes hebraicos de Herz e Regina |
| 9 | Habilitação de cocheiro profissional (23/07/1952) + foto na carroça | Prova material da "clientela" |
| 10 | Mojsie e Clara com bebê | — |
| 11 | Família reunida, 02/01/1989 (data da família) | — |
| 12 | Bodas de ouro, datada 03/06/2000 | 4 meses antes da morte dele |
| 13 | Carta de Steven Spielberg, 14/01/1998 | Traz o endereço: Rua Silva Bueno, 1542, ap. 83, Ipiranga |
| 14 | Árvore genealógica, "1 Holocaust survivor → 23 new lives" | Transcrita em fontes/dados-biograficos.md |
As fotos existem apenas dentro do PDF. Não foram extraídas para arquivos individuais. Ver backlog, item B3.
3. O que foi produzido#
Zeide/
├── README.md porta de entrada (para a família)
├── BRIEFING-INTERNO.md este arquivo
├── transcricao/
│ ├── 00-como-ler.md convenções
│ ├── 01-verbatim.md ← AUTORITATIVO. 487 turnos, 314 âncoras
│ ├── 02-revisada.md derivado do verbatim; 406 turnos
│ ├── 03-indice.md índice temático + cronologia por fita
│ └── mojsie-1997.srt 1.237 blocos — ver §5, não é revisado
├── cronologia/
│ └── linha-do-tempo.md 1914–1950, fonte marcada linha a linha
├── contexto/ 17 arquivos + índice (dossiê histórico)
├── fontes/
│ └── dados-biograficos.md referência canônica de nomes/datas/grafias
└── pesquisa/
├── achados.md
└── proximos-passos.md backlog voltado à família
Hierarquia de autoridade (em caso de conflito entre arquivos):
transcricao/01-verbatim.md— a falafontes/dados-biograficos.md— nomes, datas, grafiascronologia/linha-do-tempo.md— ordem dos fatoscontexto/*— o enquadramento históricoREADME.md,02-revisada.mdeCATALOGO-DOS-ACHADOS.md— derivados; atualizar depois dos outros, nunca antes. O catálogo (criado em 31/08/2026 a pedido do usuário, pensado como espinha de um futuro site da família) usa IDs estáveis D/P/H/C — ao adicionar achados novos, estender a numeração, nunca renumerar
4. Convenções que NÃO devem ser quebradas#
Foram acordadas com o usuário. Quebrar qualquer uma destrói o valor do arquivo.
- Nunca "corrigir" o português dele no verbatim. Ele era polonês, chegou ao Brasil aos 33 anos. "No Bialystok", "eu era mocinha, menino ainda", "eu servia exército" ficam. A sintaxe polonesa é parte do documento. Correções vão só na trilha revisada.
- Distinguir erro de máquina de fala do falante. O que foi corrigido no verbatim são erros de ASR ("índios" onde ele diz judeus, "cachê" onde diz kosher, "gelador" onde diz zelador). Isso não é o que ele falou; é ruído.
- Nunca chutar nome próprio. Incerteza vira
[?]ou[palpite?], mesmo quando o palpite é plausível. Há 30 marcações ativas — ver §7. - Preservar as contradições dele. Ele tinha 83 anos e avisa duas vezes que se confunde. Onde a memória não fecha com o registro histórico, os dois ficam lado a lado. Ver §8.
- Marcar a natureza de cada afirmação. A linha do tempo usa
ENTREVISTA hh:mm/DOCUMENTO/HISTÓRIA/INFERÊNCIA. Manter isso em qualquer arquivo novo. - Timestamps sincronizados entre verbatim e revisada. Já verificado por script; se editar um, revalidar.
- Pronomes: usar he/him para Mojsie e she/her para Clara/Ita/Marisha é seguro (são conhecidos). Para o irmão caçula sem nome e o noivo de Marisha, manter descrições neutras.
5. Pipeline técnico — como reproduzir#
Ambiente: macOS, Apple M3 Pro, 18 GB. ffmpeg e whisper-cpp via Homebrew. Modelo: ~/.cache/whisper-cpp/ggml-large-v3.bin, 3.095.033.483 bytes (conferir o tamanho).
# 1. áudio
ffmpeg -y -i "19971125 - Survivors of the Shoah - Mojsie Stobiecki.wmv" \
-vn -ac 1 -ar 16000 -c:a pcm_s16le audio_raw.wav
# 2. transcrição em blocos de 600 s com 20 s de margem, contexto desligado
M=~/.cache/whisper-cpp/ggml-large-v3.bin
for i in $(seq 0 13); do
S=$((i*600)); OT=$((S-20)); [ $OT -lt 0 ] && OT=0
D=$(( (S+620) - OT ))
whisper-cli -m $M -f audio_raw.wav -l pt -bs 5 -bo 5 -t 8 -mc 0 \
-ot $((OT*1000)) -d $((D*1000)) -oj -of chunks/c$(printf %02d $i)
done
# depois: manter só os segmentos cujo t0 cai em [i*600, (i+1)*600)
Três coisas aprendidas que valem para qualquer transcrição longa#
-mc 0é obrigatório. Sem ele, o whisper realimenta o texto anterior como contexto e pode entrar em loop que nunca se recupera. Na primeira tentativa, a frase "Foi o quinto milagre" repetiu 3.229 vezes de 00:29:39 até o fim, destruindo 79% da entrevista.- Pré-processar o áudio piora.
highpass+loudnormfizeram o modelo normalizar a gramática do falante ("em Bialystok" no lugar do "no Bialystok" que ele diz) e engolir hesitações. Usar sempre o áudio bruto. - Verificar sempre: contar repetições por bloco, e conferir se há segmentos além da duração real (o padding do último bloco alucina — no caso, "Legenda por Sônia Ruberti" ×5).
Diarização#
O slate do vídeo diz "survivor mic on channel 1, interviewer mic on channel 2" — mas a digitalização colapsou os canais em dual mono (diferença L−R de −70 dB). Não há diarização gratuita. A atribuição de falantes foi feita por conteúdo, à mão. Não foi verificada por áudio.
Arquivos intermediários perdidos#
audio_raw.wav, audio_enh.wav, os 14 JSONs de bloco e o merged.json ficaram no scratchpad da sessão e não estão no projeto. Regeneráveis pelos comandos acima (~20 min de GPU).
6. Erros já cometidos — não repetir#
6.1 "moraram" vs "morreram" — o erro grave#
O segmento [55:43] saiu da passada em blocos como "E meus pais, minha e toda a família moraram lá". Está errado. Reprocessado isoladamente nas duas versões do áudio (bruto e tratado), o resultado é idêntico e inequívoco:
[55:43] "E meus pais, minha e toda a família morreram lá."
Dito ao narrar a entrada dele em Majdanek. É a frase que responde a pergunta central da família. Se alguma transcrição futura voltar a dizer "moraram" nesse ponto, está errada. Já corrigido nos três arquivos (verbatim, revisada, SRT).
6.2 Frase omitida na revisada#
A mesma frase tinha sido omitida da versão revisada na primeira redação. Corrigido. Lição: ao gerar a trilha revisada, conferir cobertura frase a frase, não só de turnos.
6.3 Nome do usuário inventado#
Registrei um primeiro nome inventado para o usuário na memória antes de ele dizer o nome. Era invenção minha (deduzida do e-mail). Corrigido depois que ele se identificou como Flavio Pripas. Não deduzir identidade.
6.4 Palpite de origem errado#
Deduzi, do sobrenome, que a família era de Radomsko (de Stobiecko). É Kalisz. O sobrenome de fato clusteriza na região de Sieradz/Wieluń — Błaszki, Łask, Pajęczno —, o que é consistente, mas a dedução sobre a cidade estava errada.
6.5 O SRT não é revisado#
mojsie-1997.srt foi gerado da transcrição automática e recebeu 83 substituições de vocabulário por regex, mais a correção de 6.1. Não passou pela revisão manual que o verbatim passou. Diverge do verbatim em pontuação e segmentação. Ver backlog A1.
Atualização 30/08/2026: as ~14 correções da passada dirigida (§7) foram aplicadas também no SRT (morria/morava, "[Majdanek?]" em 88:13, Goebbels/Göring, "outra guerra", Grodans, Shedlitz, [tefilín?] ×3, formatórios, [gemeinde?], [Pripas?], [Jalabat?]). O SRT continua não revisado no resto, mas os pontos de maior risco estão sincronizados com o verbatim.
6.6 Learnings da fase de pesquisa (30–31/08 e 01/09) — não repetir os erros, reusar os acertos#
- Homônimos são a regra. Dois Ajzyk Stobiecki nasceram em Błaszki em 1901; a morte de Ebensee foi atribuída ao tio e corrigida para o primo em 24h (a correção está documentada no catálogo, de propósito). Antes de fechar qualquer identificação: buscar ativamente homônimos.
- Verificar com os próprios olhos. Todo achado de agente que muda um fato foi conferido no scan antes de propagar (Grodans, Groix linha 29, kartoteka, Ebensee). Índices erram; datas de índice divergem do manuscrito.
- Negativo documentado é achado. "Onde cada busca termina" (fundos não indexados, lacunas de acervo, zero em X) está registrado em
pesquisa/achados.md— poupa retrabalho eterno. - Bloqueios mapeados (não contornar captchas — nunca): Szukaj w Archiwach = bloqueio duro por IP desta rede (funciona de outra; links de scan prontos ato a ato em
fontes/dados-biograficos.md); JDC search/FindAGrave = Cloudflare interativo (clique humano); ŻIH digital = em migração; Hemeroteca BN = busca livre, visualização com captcha; JewishGen/FamilySearch = conta (a família cria se quiser). Workarounds legítimos documentados: API pública do Yad Vashem (BuidSpesificResultsQuery→ roster completo além do corte de 50) e backend do Arolsen (ITS-WS.asmx) — descritos nos relatórios empesquisa/achados.md. - Fonte acadêmica ≠ verdade: o artigo da Acta Humanitatis foi recuperado e rebaixado por divergir da historiografia consolidada; quem manda é Dean/USHMM + Yad Vashem (fontes do
contexto/05). - Rate limits matam agentes no meio — retomar com SendMessage preserva contexto; se o transcript se perder, relançar com resumo do que já se sabia.
- Cadeia de autoridade funciona: toda mudança flui verbatim → dados-biograficos → linha do tempo → contextos → derivados (catálogo/README). Nunca o contrário.
- Tudo que se acha, se preserva: cada scan/documento vai para
pesquisa/docs/com ficha de proveniência no README de lá. Nada vive só em URL externa.
7. Trechos incertos — estado após a passada dirigida de 30/08/2026#
A passada A2 foi executada (23 janelas, beam 8, com/sem prompt de vocabulário — as duas passadas convergiram em tudo). A tabela completa, trecho a trecho, com justificativas, está nas "Notas sobre trechos duvidosos" de transcricao/01-verbatim.md — aquela é a autoritativa. Resumo:
Resolvidos ou promovidos (saíram da lista de dúvidas)#
| Tempo | Resultado |
|---|---|
| 06:28 | Grodans — confirmado também por documento (ficha DP 1946, Arolsen 69312025) |
| 23:39 | "que morria dentro do trem" (era "morava" — mesmo padrão do erro 6.1) |
| 25:56 | Shedlitz [Siedlce] — ele diz o nome em iídiche |
| 60:44 ×4, 69:55 | Kronstadt — fala confirmada (7 leituras); o lugar segue não identificado |
| 79:40, 80:06 | "formatórios" — o lapso dele ao tentar "crematórios", recuperado |
| 88:13 | "Todos morreram no [Majdanek?]" — leitura "-danek" consistente; possível 2ª menção ao campo |
| 93:33 | "…que eles fizeram, por favor" |
| 98:55 | "uma [gemeinde?]" (a Ita traduz em seguida: "uma sociedade, uma organização") |
| 109:24 | Goebbels — é o que ele diz; anacronismo de memória preservado com nota |
| 112:16 | "vai ter outra guerra" (substituiu a inserção especulativa "outra [chance]") |
| 117:02 | um nome [?] — palpite forte (o genro estava presente) |
| 41:33 | "Na [Jalabat?] mesmo" — candidato: Dżałał-Abad, Quirguistão (formação do ex. polonês) |
Seguem em aberto (com o que a passada acrescentou)#
| Tempo | Marcação | Nota |
|---|---|---|
| 05:46, 75:59, 76:08 | [tefilín?] | Máquina lê "filme/filho" — duas hipóteses viáveis: tefilín ou tehilim (Salmos); o "m" final de "filme" até favorece tehilim |
| 85:59 | ela foi para a [?] | Marisha. Máquina lê "doceira" — hipótese: Rossia (Rússia), consistente com [125:01] |
| 112:36 | Eles chamavam [?] | Vizinhos do Bom Retiro. Máquina lê "tunkersfats" — sobrenome iídiche não decifrado |
| 129:44 | era só do meu tio, [?] | Máquina lê "Cáceres". Candidata nova: "Sala Stobiecki", a prima paterna indexada na ficha VHA |
| 23:44 | [Łuck?] | Máquina lê "Lúcia" — inconclusivo |
| 77:34 | [Ashkelon?] | Máquina lê "Esquilona" — reforça |
| 61:42 | com o [?] | Máquina lê "Carlos" — hipótese: kadry (кадры) |
| 09:04, 09:47, 19:27, 68:24, 69:41, 72:52, 92:00, 119:14 | [?] | Seguem ininteligíveis (leituras novas anotadas no verbatim) |
8. Contradições preservadas — não resolver sozinho#
8.1 O itinerário 1940–1942#
Ele dá duas versões incompatíveis do destino do trem que o levou de Białystok:
- [41:16–42:41] — dois meses até Karaganda, no Cazaquistão.
- [60:44–70:20] — primeiro um campo de trabalho no norte ("Kronstadt" — fala confirmada, lugar não identificado; comissão de Leningrado); só depois da invasão alemã (jun/1941) evacuado para a Sibéria; só então a Ásia Central.
A linha do tempo adota a segunda, com três razões documentadas. Ver cronologia/linha-do-tempo.md, seção final. A primeira versão não foi apagada.
8.2 Stalingrado#
[50:26–51:35] ele diz ter chegado perto de Stalingrado. Não fecha: a 1ª Divisão Kościuszko formou-se em maio de 1943, três meses depois do fim da batalha; nenhuma unidade polonesa sob comando soviético esteve lá. Três leituras possíveis em contexto/10-berling-lenino.md. Nenhuma foi adotada. O primeiro combate dele foi quase certamente Lenino (12–13/10/1943).
8.3 O endereço — RESOLVIDO em 30/08/2026 a favor da entrevista#
| Fonte | Endereço | Veredito |
|---|---|---|
| Entrevista [10:12] | Parczewskiego 12, loja na Kanonicka | Confirmado por fonte primária: a Księga Adresowa Polski de 1929 lista, entre os alfaiates de Kalisz, "Stobiecki H., Nadwodna 12" — e Nadwodna é o nome que a Parczewskiego teve até 1937. A esquina Kanonicka×Nadwodna/Parczewskiego existe desde 1820. Prova: pesquisa/docs/kap1929-krawcy-stobiecki-nadwodna12-zoom.png |
| Slide 3 do PDF (Street View localizado pela família) | Śródmiejska 14 | Não pode ser o mesmo prédio: fica a ~300 m, numa rua que nos anos 1930 se chamava Piłsudskiego (antes Wrocławska) e nunca se chamou Kanonicka; Śródmiejska e Kanonicka nem se tocam |
Hipóteses para a foto do slide 3 (não fatos): segunda loja da família na rua principal; ou match de fachada errado no Street View (o centro foi reconstruído em estilo homogêneo após 1914 — e a Nadwodna, ao contrário, sobreviveu a 1914); ou fusão de memória. A foto mostra rua estreita — perfil da Kanonicka, não da rua principal. Vale reexaminar o Street View com a família. Bônus do mesmo livro de 1929: "Stobiecki R., Złota 1" (outro alfaiate — candidato a ser o Rafu do Yad Vashem) e dois alfaiates vizinhos na mesma rua — Michałowicz (Nadwodna 15) e Litmanowicz (Nadwodna 18) — candidatos aos "vizinhos do mesmo ramo, da mesma rua" do Bom Retiro [112:26].
8.4 Majdanek — o grau de certeza#
Ele afirma que a família morreu em Majdanek [55:43]. A rota histórica sustenta (Kalisz → um dos quatro transportes foi para Lublin → Majdanek fica em Lublin; judeus de Kalisz documentados entre as vítimas). Um argumento adicional: a vizinha sobreviveu para contar, e Bełżec teve 7 sobreviventes conhecidos contra milhares em Majdanek.
Mas: ele nunca diz que a vizinha nomeou o campo, e ele próprio esteve em Majdanek — âncora associativa forte. Não há documento.
Fórmula a usar em qualquer publicação: "segundo o próprio Mojsie, e de forma compatível com o que se sabe da deportação de Kalisz, a família foi morta em Majdanek". Nunca "a família foi morta em Majdanek" como fato provado.
9. Pesquisa — feito, bloqueado, não tentado#
Feito#
- Comunidade judaica de Kalisz (USHMM, YIVO, Yizkor book, Wikipedia)
- Expulsões nov/1939–fev/1940: datas, método, os quatro transportes e destinos
- Deportação soviética de 28–29/06/1940 (bieżeńcy): ~75 mil, >84% judeus, destinos
- Exército de Anders: antissemitismo no recrutamento, números
- Exército de Berling, Batalha de Lenino
- Majdanek: vítimas, Erntefest, libertação, museu de nov/1944
- Retorno de sobreviventes 1945–46, pogrom de Kielce, Bricha
- Nuremberg: réus e cronologia
- Decreto-Lei 7.967/1945 e a política imigratória brasileira
- Bom Retiro, clientela, colônia judaica paulistana
- Yad Vashem: busca nominal completa (ver §10)
Resolvido na rodada de 30/08/2026 (ver pesquisa/achados.md)#
- Arolsen Archives — busca completa. Achado principal: a ficha DP de 1946 do próprio Mojsie (pai Hersz, mãe GRODANS Regina) + registro WJC 1945 + listas Heidenheim/Stamsried + caso T/D 200.483 (1967, solicitável) + Tauba/Josef/Rolka Stobiecki como possíveis parentes. Escaneamentos em
pesquisa/docs/ - USC VHA, ficha 35919 — pública em https://vha.usc.edu/testimony/35919: índice minuto a minuto; irmãos indexados como "Mayer" e "Szia"; mãe "Regina [Ruchel]"; prima "Sala Stobiecki". Vídeo: cópia para familiares via sfiaccess@usc.edu
- Yizkor books de Kalisz — 4 volumes verificados por busca em texto completo: família não mencionada; não existe necrologia onde pudesse constar. Resultado negativo definitivo
- Artigo Acta Humanitatis — recuperado na íntegra via Wayback (PDF em
pesquisa/docs/). Rebaixado: diverge da historiografia consolidada; usar com cautela - sztetl.org.pl — recuperado (a URL tinha mudado; 403 era filtro de user-agent). Trouxe a lista dos dez trens (M. Dean/USHMM) e o funil de Lublin (Bełżec vs. Majdanek; 5 kaliszanos sobreviventes de Majdanek entre 337 retornados)
Também resolvido em 30/08/2026#
- O navio: vapor GROIX (Chargeurs Réunis), Le Havre → Santos 06/12/1947 — confirmado nominalmente na lista de bordo (o acervo do Museu da Imigração migrou para
www.museudaimigracao.org.br/acervo/passageiros; o subdomínio antigoacervodigital.morreu). Lista + recortes empesquisa/docs/. Ele não passou pela Hospedaria dos Imigrantes - O endereço (§8.3): confirmado "Stobiecki H., Nadwodna 12" no livro de endereços de 1929 — Nadwodna = Parczewskiego pós-1937. Śródmiejska 14 é outro prédio; slide 3 precisa de reexame
Em andamento / bloqueado — vale nova tentativa#
| Alvo | Situação | Por que importa |
|---|---|---|
| Szukaj w Archiwach (szukajwarchiwach.gov.pl) | Imperva "Error 16" desta rede — tentar de outra rede/VPN | Livros do fundo 693 (nascimentos judaicos de Kalisz 1921/1922 já online; 1914–29 vão subindo) — os atos civis dos irmãos |
| Genealogy Indexer (genealogyindexer.org) | Motor de busca offline na rodada | Indexa guias poloneses de 1926–39 — pegaria a loja e o "W. Horowicz" tardios |
| Registros judaicos de Dobra (pow. turecki) | Não indexados em lugar nenhum | Nascimento de Regina (~1888) e possivelmente o casamento Hersz × Regina; a família Graudans inteira |
Não tentado#
- Museu Estatal de Majdanek — banco de prisioneiros, aceita consulta de famílias (agora com data e trem: 02/12/1939, Kalisz → Lublin). E o memorial de nomes de Bełżec, pelo mesmo motivo
10. Resultado da busca nominal (Yad Vashem, 29/08/2026)#
Herz, Regina, Shia, Marisha e o irmão caçula NÃO constam do Banco Central de Nomes das Vítimas da Shoá. Nenhum deles. O banco tem ~5 dos ~6 milhões de assassinados; a família está entre o milhão ainda sem nome.
Buscando Stobiecki + Kalisz, aparecem 5 vítimas de outra família:
| Nome | Nasc. | Profissão | Morte | Submissor |
|---|---|---|---|---|
| Rafu Stobieski | 1890 | alfaiate | Auschwitz, gás | Rachel Dorison Rothstein (neta) |
| Leah Stobieski | 1895 | professora | Auschwitz, gás | idem |
| Sonia Stobieski | 1925 | aluna | Auschwitz, gás | idem |
| Bronia Stobieski | 1929 | aluna | Auschwitz, gás | idem |
| Fania Stobitzki (n. Mordovitz) | — | dona de casa | — | Pola Lipshitz Marmelshtein |
IDs: 3974781 · 13987692 · 3974782 · 3974784 · 9346495
Rafu era alfaiate em Kalisz. Mojsie diz [03:33] que o pai tinha 4 irmãos na cidade, e em [129:29] mostra a foto de um deles: "ele quase criou nós". Parentesco plausível, não provado.
Variantes de "Hersz Stobiecki" no banco vêm de Łask, Łódź, Pajęczno e Wieluń — região de Błaszki, onde Herz nasceu. Nenhum de Kalisz.
Nota de método: os nomes dos submissores são parte do registro público memorial. Não compilar informação sobre essas pessoas nem tentar contato. Qualquer aproximação é decisão da família.
11. Backlog#
Feito em 30/08/2026#
| # | Tarefa | Resultado |
|---|---|---|
Passada dirigida aos trechos [?] | Feita — 23 janelas, 2 passadas cada; 12 marcações resolvidas/promovidas (§7). Os JSONs ficaram no scratchpad da sessão (regeneráveis) | |
| Transcodificar para MP4 | Feito — 19971125 - ... .mp4, 1,25 GB, H.264/AAC/yadif/faststart, duração idêntica | |
| Extrair imagens do PDF | Feito — fontes/fotos/ com 19 arquivos + README com legendas e a reidentificação dos tenaim | |
| Arolsen Archives | Feito — ficha DP 1946 (GRODANS!), WJC 1945, Heidenheim/Stamsried, T/D 200.483, Tauba/Josef/Rolka. Escaneamentos em pesquisa/docs/ | |
| Ficha USC VHA 35919 | Feito — índice completo extraído; irmãos "Mayer" e "Szia"; "Regina [Ruchel]"; prima "Sala" | |
| Artigo Acta Humanitatis | Feito — recuperado via Wayback; rebaixado (diverge da historiografia; ver fontes do contexto/05) | |
| — | Yizkor books de Kalisz | Verificado (negativo): família não mencionada, sem necrologia |
A — Melhorar o que já existe#
| # | Tarefa | Esforço | Valor |
|---|---|---|---|
| A1 | Regerar o SRT a partir do verbatim revisado, realinhando o texto aos tempos dos segmentos. As ~14 correções críticas já foram aplicadas pontualmente (§6.5); o realinhamento completo segue pendente | médio | médio (caiu: os pontos de risco já estão sincronizados) |
| A3 | Timestamps por palavra (-dtw large.v3) para âncoras precisas de citação | baixo | médio |
| A4 | Verificar a atribuição de falantes por áudio (pyannote), hoje feita só por conteúdo | médio | baixo |
B — Completar o acervo (dependem da família)#
| # | Tarefa | Esforço | Valor |
|---|---|---|---|
| B1 | Traduzir o documento de noivado (tenaim) do slide 8 — reidentificado em 30/08: é europeu, pré-guerra; os nomes manuscritos (cursiva iídiche) podem ser de Herz e Regina, da irmã e do noivo, ou da família de Clara. Precisa de digitalização em alta do original + leitor de cursiva iídiche | baixo | subiu: muito alto |
| B2 | Recuperar as fotos originais com a família, em alta resolução. As do PDF são recompressões | baixo | alto |
| B4 | Melhorar/upscalar a foto de 1938 para tentar identificar melhor os rostos | baixo | médio |
| B5 | Digitalizar a medalha de bravura e o documento de baixa do exército, se a família ainda os tem ([133:28], [133:55]) | — | alto |
C — Pesquisa e solicitações#
| # | Tarefa | Chance | Valor |
|---|---|---|---|
| C1 | Páginas de Testemunho no Yad Vashem para os cinco — agora com Grodans confirmado e "Mayer" como candidato | 100% | máximo |
| C10 | Pedir à USC o PIQ da entrevista 35919 (sfiaccess@usc.edu) → confirmar "Mayer" + cópia do vídeo em qualidade de arquivo | alta | máximo |
| C11 | Solicitar ao Arolsen o dossiê T/D 200.483 (1967) — quem procurou por ele, e o que o ITS apurou | alta | alto |
pesquisa/achados.md item 0) | — | — | |
pesquisa/proximos-passos.md item 5 | — | — | |
| C12 | JDC Archives: dossiê US.6235 de Tauba Stobiecka (Kalisz 1923 → Paris 1946 → EUA 1950) — possível ramo sobrevivente | média | alto |
| C5 | Museu de Majdanek — consulta sobre Hersz e Regina (agora com o trem: 02/12/1939 → Lublin). E o memorial de nomes de Bełżec, pelo mesmo motivo | baixa | alto |
| — | — | ||
| C9 | Marisha em arquivos soviéticos | muito baixa | máximo |
D — Etapa 3 (não iniciada, não definida)#
Não avançar sem o usuário. Pontos já levantados:
- Formato recomendado: arquivo digital navegável, não livro. Livro pode sair do mesmo material depois.
- Problema técnico: vídeo de 1,1 GB em
.wmv. Precisa de MP4 e de hospedagem que a família controle. - Eixo narrativo sugerido: ele organiza a própria sobrevivência contando milagres em série. Nomeia só o segundo ([29:27]) e o terceiro ([31:34]); nunca diz qual foi o primeiro, e não continua a série. É a estrutura que ele mesmo dá à história.
- Um segundo eixo forte: a cadeia do ofício — a confecção do pai em Kalisz → a costura aprendida sob coação num campo soviético → as calças em Paris → a clientela e a carroça em São Paulo.
12. Decisões já tomadas pelo usuário — não reabrir#
| Decisão | Escolha |
|---|---|
| Fidelidade da transcrição | Verbatim + versão limpa em paralelo |
| Granularidade dos timestamps | Por fala, com âncoras a cada ~30 s em falas longas |
| Formato do contexto histórico | Dossiê documentado com fontes |
| Escopo da cronologia | Até 1950 (chegada e casamento) |
| Clara Schnaider | Já estava no Brasil. Não pesquisar trajetória de deslocamento dela; documentar só o ambiente |
| Formato da etapa 3 | Em aberto — "discutir depois" |
13. Perguntas em aberto para o usuário#
- A família ainda tem a medalha, o documento de baixa do exército, ou a carta que o pai mandou ([87:38])? Ele diz que "só sobrou papel" — se esse papel existe, é a última coisa material que veio de Herz.
- Há fotos originais (não as do PDF) da família? E o documento de noivado (tenaim) físico — o "slide 8" —, para digitalizar em alta? (Reidentificado em 30/08: é pré-guerra, não a ketubá.)
- Os nomes "Majer" e "Frania" dizem alguma coisa a alguém da família? O caçula está confirmado como Majer (cartão de 1934 + ficha VHA); Frania é a irmã (1917–1930) que ninguém registrava — alguém mais velho da família chegou a ouvir falar dela? E o noivo de Marisha, alguém ouviu o nome?
- Alguém sabe se Mojsie procurou a irmã formalmente — Cruz Vermelha, HIAS, Joint, Yad Vashem? Pista nova: o ITS abriu um caso de rastreamento sobre ele em 1967 (T/D 200.483) — pode ser exatamente esse registro. Solicitável gratuitamente ao Arolsen.
- Existem outros parentes vivos que conviveram com ele e podem confirmar detalhes — sobretudo as filhas? (E: alguém já ouviu falar de uma Tauba Stobiecka de Kalisz que foi para os EUA em 1950, ou de Josef/Rolka Stobiecki?)
- A família quer que eu prossiga com as buscas em arquivo, ou prefere fazer isso por conta própria? As solicitações formais (Arolsen T/D 200.483, PIQ da USC, JDC, Majdanek/Bełżec) são atos da família — os formulários pedem identificação de parente; este projeto não os envia.
Última atualização: 29/08/2026. Etapas 1 e 2 concluídas; etapa 3 não iniciada.