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The Warthegau and the expulsions

O Warthegau e as expulsões — como a família foi arrancada de Kalisz

This notebook is in Portuguese, as written during the research. Translation follows in stages, after the first published version.

File
contexto/05-warthegau-expulsoes.md
Updated
2026-09-01
Terms of use
Written by the family with AI assistance, August–September 2026. The site's source of truth.

Este é um dos dois arquivos centrais do dossiê. O outro é 12-destino-judeus-kalisz.

O que ele conta#

[33:36] "Encontrei todo mundo, mas era muito pouca alegria. (...) E os alemães já tinham pendurado, em cada esquina, um aviso: quem tivesse voltado para casa, naquela faixa de idade, devia se apresentar." [34:04] "Como eu tinha muito medo por causa da minha idade, eu conversei com meus pais: vamos fugir todos juntos." [34:12] "Meus pais disseram: 'Como é que eu vou fazer? Vou deixar tudo isso aqui?' E ficaram para trás." [21:23] "Nós morávamos naquele prédio. No porão dava para guardar muita coisa. Tudo o que eles juntaram em tantos anos de trabalho estava guardado lá." [34:57] A cidade pertencia à Alemanha.

O que se sabe#

A anexação. Kalisz não ficou na Polônia ocupada. Foi anexada ao Reich e incorporada ao Reichsgau Wartheland — o Warthegau —, território destinado a ser "germanizado". Isso muda tudo: enquanto o Governo Geral era uma colônia onde os judeus seriam concentrados em guetos, o Warthegau devia ser esvaziado de judeus e poloneses para dar lugar a colonos alemães.

O plano. Entre novembro de 1939 e fevereiro de 1940, o objetivo declarado era transferir todos os judeus dos territórios incorporados ao Reich para o Governo Geral.

Como foi em Kalisz, dia a dia:

  • 10 de novembro de 1939 — começam as deportações em massa. Começam pelas ruas mais ricas, porque as casas seriam entregues a alemães bálticos que chegavam à cidade. Os judeus tinham dez minutos para arrumar as malas e podiam levar apenas o básico.
  • Início de novembro — os alemães cercam a rua Górnośląska e empurram mais de 2.000 judeus para o grande mercado coberto no primeiro dia. Cem notáveis da comunidade — advogados, comerciantes, médicos — são separados e torturados no abrigo da prefeitura para entregarem valores.
  • 20 de novembro — os judeus passam a ser trancados na hala targowa dos irmãos Szrajer, no Rynek Dekerta — o mercado coberto, que o exército alemão vinha usando de estábulo —, cercada com arame farpado triplo. Até 2 de dezembro há mais de 10 mil pessoas lá dentro. "Uma terrível epidemia de tifo começou no Mercado e matou centenas." Cada deportado podia levar uma mala e 50 złoty.
  • 2 a 14 de dezembro de 1939 — parte a leva principal: dez trens, com 15.862 pessoas (a ficha do Yad Vashem fala em "cerca de 16.000, em pelo menos dez trens"). A operação foi organizada por Albert Rapp (SD de Poznań), sob Wilhelm Koppe; a cota de Himmler, de mil pessoas por trem, foi "certamente excedida". O quadro documentado:

    Data (1939)TrensDestinos
    02/122Lublin e Sandomierz
    06/122Kałuszyn e Łuków
    11/122Sarnaki e Sokołów Podlaski
    12/121Węgrów
    13/121Łosice
    14/122Rzeszów e Kraków

    Vagões lacrados, dias de viagem, frio congelante — a rota do trem de 11/12 está documentada: Sieradz–Zduńska Wola–Łódź–Koluszki–Platerów.

  • A memória dos sobreviventes (o Yizkor book) guardou "quatro grandes transportes — Lublin, Sandomierz, Kałuszyn, Łuków" — que são exatamente os quatro primeiros destinos da tabela acima. As duas tradições não se contradizem: a lista documental detalha o que a memória resumiu.
  • 15 de dezembro — os internos do asilo da rua Stawiszyńska são levados para Baczki, perto de Łochów. Doentes do hospital foram levados na direção de Grochów e gaseados no caminho.
  • 23 de janeiro de 1940 — os 1.312 que restavam na hala são enviados ao campo de trabalho de Koźminek. Praticamente todos os judeus de Kalisz haviam sido expulsos.

A propriedade. "Os alemães reuniram os pertences dos 30.000 judeus expulsos em grandes armazéns. Venderam as mercadorias menos valiosas à população polonesa por quase nada." As lojas judaicas foram marcadas com placas "JUDE". Os rolos da Torá foram retirados das sinagogas da rua Ciasna e queimados nos pátios.

Onde bate e onde não bate#

Bate de forma perturbadora.

  • O perfil da família era exatamente o visado primeiro. Rua central, prédio próprio, loja no térreo, moradia no segundo andar, porão cheio de mercadoria, joias e dinheiro. As expulsões começaram pelas ruas ricas, para instalar alemães bálticos. A família Stobiecki estava no topo da lista, não no fim.
  • Os "cem notáveis torturados na prefeitura para entregar valores" e a história do zelador que denuncia o porão são o mesmo fenômeno: a expulsão foi, operacionalmente, uma extração de patrimônio. Ver 12-destino-judeus-kalisz.
  • A cronologia fecha com precisão desconfortável. Ele volta para casa em ~novembro de 1939, depois de mais de um mês a pé. As expulsões começam em 10 de novembro. Ele propõe fugir; os pais recusam; ele parte para Białystok. O último grande transporte sai em 12 de dezembro. A margem entre a partida dele e a expulsão deles foi de semanas — talvez dias.

INFERÊNCIA, não fato: não há documento que diga em qual dos dez trens a família embarcou. O que se sabe é que os dois primeiros, de 2 de dezembro de 1939, foram para Lublin e Sandomierz, e que Mojsie diz que a família morreu em Majdanek, que fica em Lublin. Isso torna o trem de Lublin de 02/12 a hipótese mais econômica — mas continua sendo hipótese. (Se estiver certa, há um detalhe cruel: o último trem partiu em 14/12/1939 — dois dias depois do 25º aniversário de Mojsie.)

Fontes#