Zeideeu sobrevivi só para contar
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Atualizado
2026-09-02
Termos de uso
Escritos pela família com ajuda de IA, agosto–setembro de 2026. Fonte da verdade do site.

Clique no vídeo no tempo indicado.

Fita 1 — Kalisz e a infância · [00:00][29:34]#

TempoAssunto
00:00Abertura formal, apresentação da entrevistadora
00:55Nome, data de nascimento, idade
01:50Kalisz: 120 mil habitantes, 20–30% de judeus, perto de Lodz
02:27O pai, Hersch, nascido em Błaszki. Avós paternos e maternos
03:59A ocupação do pai: confecções. "Quando eu era mocinho, eu precisava trabalhar muito"
04:40A última lembrança do pai — a convocação e a despedida na rua
06:11A mãe, Regina
07:08Educação religiosa: cheder, kosher, "família liberal"
07:46Os irmãos: Shia, Marisha e o caçula (hoje sabemos: Szyja, Marjem e Majer — e houve uma quinta, Frania, 1917–1930; ver fontes/dados-biograficos.md)
08:52Só ídiche em casa. Shabat
09:30As sinagogas de Kalisz — a grande, de 5 mil lugares
10:12O endereço: rua Parczewskiego 12, loja na Kanonicka
10:41A vizinhança — judeus e não judeus, "não tinha portas fechadas"
11:02O antissemitismo antes da guerra — bloqueio da porta da loja, medo de andar na rua
12:28Bar mitzvah
12:50Escola religiosa, gemeinde, até os 18 anos
14:57Beitar e Jabotinsky. O sionismo da família
17:38Maccabi — uniformes, bandeira, marchas para o piquenique
18:14A comunidade judaica; situação econômica
19:17Hitler no rádio; refugiados alemães. Os tios que fugiram para o Brasil
20:54Por que a família não fugiu — e o zelador que denunciou o pai
22:11Serviço militar 1937–38; a mobilização
22:40Setembro de 1939 — a retirada, o abandono das armas pesadas, o trem bombardeado
24:23Capturado pelos soviéticos. A fuga pela grama alta
25:56Siedlce: os soldados acolhidos na sinagoga em Sukkot
26:43A caminhada de 400–500 km de volta para casa
27:41No trem: os alemães procuram judeus. Ele finge ser mudo
28:46O comboio alemão na estrada — "o segundo milagre"

Fita 2 — A volta, a fuga, a deportação · [29:48][60:08]#

TempoAssunto
31:34O terceiro milagre — o alemão que o encontra dormindo e o solta de madrugada
32:32Chega em casa. "Encontrei minha toda a família"
33:36Os avisos nas esquinas; ele propõe que todos fujam. Os pais recusam
34:30A despedida dos pais. A combinação com o irmão
34:57A travessia para Białystok, zona soviética
35:26O que a sobrevivente lhe contou em 1945 — os pais morreram no campo
36:43Białystok: emprego num restaurante, e a prisão na rua
39:20O trem de deportação — 60 por vagão, beliches de madeira, buraco no chão
40:45A sede. O trem inteiro gritando "água". Peixe salgado, sem água
41:16Dois meses de viagem
42:32Karaganda
43:44Tashkent: a Páscoa católica. O oficial polonês manda barrar judeus na fila
45:05"Eu sou soldado polonês, mas sou judeu. Eu não vou fazer isso." Preso e julgado
46:00Ele ganha a causa. O oficial é transferido
47:36O exército de novo: uniformes, comida, "cada soldado parecia um oficial"
49:22A virada política; marcha ao lado do exército russo
49:56Por que oficiais e soldados não usavam emblema — mataram os oficiais poloneses
50:26Stalingrado — a fome, o cerco, "nem um gato, nem um cachorro"
51:55As trincheiras. O inverno russo vira a batalha
53:17Ferido na mão esquerda por estilhaço. Ele implora para não amputarem
55:07Majdanek — os russos acabaram de esvaziar o campo
55:46"Encontramos ainda tudo quente: ossos, montanhas de sapatos, montanhas de dentes"
57:13Os sobreviventes: "a mesma coisa que uma sombra"
58:03O que ele sabia de Auschwitz e do gás
58:39Descrição do campo: torres, arames, barracas

Fita 3 — O campo de trabalho, a Sibéria, a notícia · [60:25][91:06]#

TempoAssunto
60:44O primeiro campo de trabalho na URSS
61:42A entrevista que lhe salva a vida — o oficial fala hebraico; ele mente sobre a profissão do pai
62:49A oficina de costura montada do zero. A linha de produção improvisada
64:00Reconhecidos como stakhanovistas: comida melhor, cama melhor
65:33A rotina, as roupas, os guardas com baioneta
67:41Os religiosos rezando escondidos — debaixo da escada. O castigo
70:20Junho de 1941: os alemães atacam a URSS. Evacuação para a Sibéria
71:25Sibéria: 40 abaixo de zero, barracão sem banheiro
72:21"Eu me pergunto sozinho: que jeito eu sobrevivi? Eu acho que eu sobrevivi só para contar a história"
73:09O conhecido religioso reencontrado na Sibéria — "foi um milagre também"
75:45Ele parou de rezar. O que o pai lhe deu na despedida
76:21O pacto anglo-soviético; a saída para a Ásia. Os que foram para Israel
79:21Volta à Polônia com o exército
79:40Majdanek em detalhe — os crematórios, os ossos, as montanhas de sapatos de criança
81:42A ajuda que começa a chegar; o Joint
84:20Como ele soube da família
85:33"Todo mundo morreu, ela falou" — e a dúvida sobre a irmã
86:04O zelador denuncia. O pai é atrelado à carroça no lugar do cavalo
87:27A carta que chegou pedindo ajuda, quando ele mesmo não tinha nada
88:23A volta à loja e à casa — o novo dono, a mulher que chora
89:26"Eu procurava ele, eu queria vingança, mas não encontrei"
90:13A medalha. "Sobrou só papel. Da minha família, só sobrou também só papel"

Fita 4 — A fronteira, Paris, o Brasil · [91:21][121:39]#

TempoAssunto
91:38A baixa do exército em Lodz. "Eu fiquei na meia da rua: onde eu vou?"
93:10A travessia da fronteira com vodca e cigarros
95:01Frankfurt an der Oder; a Alemanha; o trem para Paris
95:51A primeira noite em Paris: hotel de décima categoria, e a polícia
96:38Legalizado por ter sido soldado — os que vieram dos campos foram devolvidos
97:42Três meses trabalhando de graça para aprender a fazer calça
98:26A amostra que ele capricha; a máquina comprada a prestação com aval do Joint
100:07Das sete da manhã à meia-noite. Dois anos em Paris
103:14Os amigos do Beitar que foram para a Haganah. Goldstein
106:32O gueto de Lodz, vazio — "só se pisava nas fotos que tinha no chão"
107:27A sinagoga de 5 mil lugares: "enquanto eu voltei, só vi chão"
108:48Nuremberg — ele assiste à entrada e à saída dos réus
110:40O amigo que leva o nome dele ao Brasil. O primo no Rio, a família em Porto Alegre
111:54Chega como turista por três meses; prorroga; vai para São Paulo
112:26Os vizinhos de Kalisz reencontrados no Bom Retiro
113:18Como conheceu Clara — pelo Macabi
114:23O começo no Brasil: clientela
114:54Os três filhos, nome a nome; o genro
117:06Os netos, um a um
118:36"Eu me senti no mundo sozinho, sem ninguém. Será que eu vou ter família outra vez?"
120:26"Onde estava Deus?" — a pergunta sem resposta
121:14"Continuei a ser judeu — e judeu como raça, como povo"

Fita 5 — Fé, fotografias, família reunida · [121:47][137:14]#

TempoAssunto
121:59Ele crê em Deus. A sinagoga da Hebraica
122:46Radom — o sequestro dos judeus ricos por resgate, por volta de 1940
124:25O episódio mais marcante: o encontro com a sobrevivente
124:51A irmã — fora do campo, talvez casada, talvez na Rússia. Nunca se soube
125:58A mensagem para filhos e netos
126:50As fotografias, narradas por ele
127:25A foto da família de 1938 — "meus pais, meus irmãos e noivo da minha irmã"
127:50"Meu irmão mais novo — fala a verdade, não me lembro o nome dele"
128:36A foto da loja, com Herz na porta (1936–37)
130:24Ele em Paris, trabalhando
130:59"Essa foto é a mais linda do mundo" — ele e Clara
131:36A bar mitzvah de um neto: todos identificados nome por nome
133:28A medalha de bravura do exército polonês
134:25A família reunida na sala, apresentada um a um
136:10Clara fala
136:49A filha fala — "Obrigada, pai"

Cronologia reconstruída#

Mojsie não conta em ordem, e avisa disso. Esta é a ordem provável dos fatos.

QuandoO quêOnde no vídeo
12/12/1914Nasce em Kalisz01:32
anos 1920–30Cheder, escola da gemeinde, trabalho na loja do pai07:08, 12:50
~1927Bar mitzvah12:36
anos 1930Beitar e Maccabi. Antissemitismo crescente14:57, 11:02
1937–1938Serviço militar no exército polonês22:11
25/07/1938A foto de família128:14
set/1939Mobilizado. Kalisz é atacada nos primeiros dias04:40, 22:40
set–out/1939Retirada até Varsóvia; capturado pelos soviéticos; foge23:43, 24:23
out/1939Sukkot em Siedlce. Caminhada de 400–500 km25:56, 26:43
out–nov/1939O trem com os alemães; o comboio na estrada; o alemão que o solta27:41, 28:46, 31:34
fim de 1939Chega em casa. Última vez que vê os pais32:32, 34:30
1939–40Białystok, zona soviética. Trabalha num restaurante36:43
~1940Preso numa batida de rua e deportado41:41
1940Passa por Radom — o sequestro dos ricos122:46
1940–41Campo de trabalho na URSS; oficina de costura60:44, 62:49
jun/1941 em dianteEvacuação para a Sibéria70:20
1941–42Sibéria71:25
1942Pacto anglo-soviético; saída para a Ásia Central (Karaganda, Tashkent)76:21, 42:32
1942O julgamento em Tashkent43:54
1942–43Reincorporado; marcha com o Exército Vermelho49:22
1942–43Stalingrado50:26
~1943–44Ferido na mão esquerda; um mês de hospital53:17
jul/1944Majdanek, logo após a libertação55:07, 79:40
1945Passa por Kalisz. Descobre o que houve com a família84:20, 86:04
1945Gueto de Lodz, vazio. Varsóvia destruída106:32, 107:48
1945Condecorado; baixa do exército em Lodz90:13, 91:38
1945Registrado como sobrevivente em Kalisz (fonte: registro WJC 1945 — ver pesquisa/docs/)
~inverno 1945–46Travessia da fronteira; Frankfurt an der Oder; "um tempo na Alemanha"93:10, 95:01
jun–ago/1946Deslocado (DP) na Baviera: Heidenheim e Stamsried (fonte: fichas do Arolsen — ver pesquisa/docs/)
1946Nuremberg — ele morava a ~100 km dali108:48
~fim de 1946Paris95:28
1946–47Dois anos em Paris, fazendo calças97:42
19/08/1947Passaporte polonês em Paris (fonte: documento, não a entrevista)
06/12/1947Desembarca em Santos (fonte: documento)111:54
1948Porto Alegre e depois São Paulo. Bom Retiro112:16
~1949Conhece Clara pelo Macabi113:18
03/06/1950Casamento114:16
23/07/1952Habilitação de cocheiro (fonte: documento)
1952, 1953, 1958Nascem os três filhos114:57
25/11/1997A entrevista
18/10/2000Morre em São Paulo, aos 85 anos

Contradição a resolver#

Em 41:33–42:41 ele diz que o trem que o levou de Białystok foi direto para Karaganda, na Ásia Central, em dois meses. Em 60:44–70:20 descreve o primeiro destino como um campo de trabalho perto de Leningrado, de onde só foi evacuado para a Sibéria quando os alemães atacaram a URSS, em junho de 1941 — e só depois disso chegou à Ásia Central. As duas versões não cabem juntas.

A segunda é mais detalhada e mais provável: bate com o funcionamento real das deportações soviéticas de 1940 e com a formação do Exército de Anders na Ásia Central a partir de 1942. A cronologia acima segue essa leitura, mas isto é interpretação, não o que ele diz.

Os milagres#

Ele organiza a própria sobrevivência como uma contagem de milagres. Só nomeia dois em voz alta — o segundo (28:46) e o terceiro (31:34) — e nunca diz qual foi o primeiro, nem continua a série depois. Vale ouvir esses trechos: é a estrutura que ele mesmo dá à história.