Este é o arquivo mais importante do dossiê. É a pergunta que a família carrega há oitenta anos, e que a entrevista responde de forma mais direta do que se imaginava.
O que ele diz — as três passagens#
1. Ao narrar Majdanek, em 1944:
[55:37] "E nós ocupamos o lugar e dormimos nas mesmas camas onde eles tinham dormido. E os meus pais, e toda a minha família, morreram ali."
2. Ao contar o encontro com a vizinha, em 1945:
[35:26] "Eu soube da história (...) quando eu voltei em 45 com o exército, passamos outra vez minha cidade, eu encontrei uma sobrevivente e ela me contou. Ela me contou que estivera junto no campo com os meus pais. Morreram todos — no campo morreram todos."
3. E de novo, mais adiante:
[85:33] "Encontrei essa sobrevivente e perguntei por eles. Ela disse que tinha estado com os meus pais e meus irmãos na hora da morte. Todo mundo morreu, ela falou. [85:48] A única coisa de que ela não tinha certeza era de uma irmã minha, que estava fora do campo."
O que se sabe sobre para onde foram os judeus de Kalisz#
A comunidade de Kalisz teve dois destinos completamente diferentes, e é isso que decide a questão.
Caminho A — os expulsos para o Governo Geral (nov/1939 – fev/1940)#
A esmagadora maioria: dez trens entre 2 e 14 de dezembro de 1939, com 15.862 pessoas — os dois primeiros, de 02/12, para Lublin e Sandomierz; os demais para Kałuszyn, Łuków, Sarnaki, Sokołów Podlaski, Węgrów, Łosice, Rzeszów e Kraków; e mais levas para Góra Kalwaria, Varsóvia, Włodawa, Rembertów. Ver 05-warthegau-expulsoes.
Quem foi parar no distrito de Lublin foi apanhado, dois anos depois, pela Aktion Reinhard. O que a pesquisa de 30/08/2026 trouxe de novo é o detalhamento desse funil (Dean/USHMM, via Wirtualny Sztetl):
- ~2.500 judeus de Kalisz foram reassentados no distrito de Lublin — cerca de mil deles registrados no Judenrat da própria cidade de Lublin.
- Quando começou a Aktion Reinhard, os deportados de Kalisz — vistos como o "elemento mais pobre", sem raízes locais — estavam entre os primeiros embarcados de Lublin para Bełżec (17/03–16/04/1942). Ao menos 3.000 kaliszanos do distrito morreram em Bełżec; cerca de 200, levados via Włodawa, morreram em Sobibór.
- E, textualmente: "só uma pequena parte foi parar no campo de concentração de Majdanek."
- Mas essa parte existiu e está documentada na ponta da sobrevivência: dos 337 retornados de campos que o Comitê Judaico de Kalisz registrou no pós-guerra, 5 voltaram de "KL Lublin (Majdanek)".
Caminho B — os que permaneceram no Warthegau#
Uma minoria. Foram concentrados, e em 1941–42 enviados a Poznań para trabalho forçado, ao gueto de Łódź e ao centro de extermínio de Chełmno (Kulmhof), onde eram mortos em caminhões de gás. Em 1942 as comunidades do Warthegau, exceto Łódź, foram liquidadas.
O que pesa a favor de Majdanek#
- Ele diz — e talvez duas vezes. Não é tradição oral degradada: está na fita, na voz dele, em 1997 — "e os meus pais, e toda a minha família, morreram ali", dita dentro da narração de Majdanek [55:43]. E a passada dirigida de 30/08/2026 sobre o trecho [88:13], antes ilegível ("Todos morreram no
[?]"), leu de forma consistente um topônimo terminado em "-danek" — compatível com uma segunda menção a Majdanek, agora fora da âncora associativa da visita (ver as notas detranscricao/01-verbatim.md). - A geografia fecha. Os dois primeiros trens de Kalisz, de 02/12/1939, foram para Lublin e Sandomierz. Majdanek fica em Lublin. A família morava numa rua central com loja — o perfil visado na primeira leva de expulsões, a de 10 de novembro de 1939.
- Kalisz está documentada entre as origens das vítimas de Majdanek — e a presença de kaliszanos no campo tem agora um número na ponta da sobrevivência: 5 dos 337 retornados registrados pelo Comitê Judaico de Kalisz voltaram de Majdanek.
- A vizinha sobreviveu — e isso é o argumento discriminador. Ela esteve "junto no campo" com os pais dele, viu a morte deles e voltou a Kalisz para contar. Bełżec — para onde foi a maioria dos kaliszanos de Lublin — teve sete sobreviventes conhecidos em toda a sua existência; Treblinka e Sobibór, algumas dezenas. Majdanek teve milhares — cinco deles kaliszanos que voltaram. Se a testemunha existiu e voltou, o campo com sobrevivência possível é Majdanek. (Não é possível saber se ela é uma das cinco registradas — o relato dele não a nomeia.)
- A tradição familiar guardou "Majdanek" de forma independente, atravessando três gerações.
O que exige cautela#
- Ele nunca diz que a vizinha nomeou o campo. Ela disse "na concentração". O nome Majdanek aparece na fala dele — e ele esteve em Majdanek, o que é uma âncora associativa poderosa. Não é possível separar, pelo áudio, o que ela contou do que ele concluiu. (A possível segunda menção em [88:13] atenua, mas não elimina, essa objeção — é leitura de máquina sobre áudio ruim.)
- Não há documento. Nenhuma lista, nenhum registro, nenhuma ficha com os nomes deles.
- A estatística aponta para Bełżec. Dos ~2.500 kaliszanos do distrito de Lublin, ao menos 3.000 (contando todo o distrito) morreram em Bełżec, para onde foram os primeiros transportes de Lublin (março–abril de 1942) — e a fonte diz que "só uma pequena parte" chegou a Majdanek. Se a família estava na cidade de Lublin em 1942, o destino estatisticamente mais provável era Bełżec — é exatamente contra essa estatística que pesa o argumento da vizinha sobrevivente (item 4 acima): de Bełżec praticamente ninguém voltou para contar.
Conclusão honesta#
Majdanek é a hipótese mais bem sustentada, e a única que ele próprio afirma. Ela é coerente com a rota de expulsão de Kalisz (trem de 02/12/1939 para Lublin), com a presença documentada de kaliszanos em Majdanek (inclusive cinco sobreviventes que voltaram), e — de modo especialmente forte — com o fato de que uma testemunha sobreviveu para contar. A pesquisa de 30/08/2026 tornou o quadro mais nítido dos dois lados: a estatística do funil de Lublin aponta para Bełżec; a existência da testemunha aponta para Majdanek. Os dois campos ficam no mesmo distrito, no mesmo raio do mesmo crime — a Aktion Reinhard. Onde quer que tenha sido, foi ali, naquele ano de 1942.
Mas é uma conclusão convergente, não uma certeza documental. A diferença importa e deve ser mantida em qualquer coisa que a família publique: "segundo o próprio Mojsie, e de forma compatível com o que se sabe da deportação de Kalisz, a família foi morta em Majdanek" — e não "a família foi morta em Majdanek" como fato provado. Se um dia se quiser um grau a mais de precisão, os caminhos que restam são o banco de prisioneiros do Museu de Majdanek e o memorial de nomes de Bełżec (ver ../pesquisa/proximos-passos.md).
O achado sobre o Yad Vashem#
Busca feita no Banco Central de Nomes das Vítimas da Shoá (Yad Vashem), em 29/08/2026:
Herz, Regina, Shia, Marisha e o irmão caçula Stobiecki não estão registrados. Nenhum deles.
O banco tem cerca de 4,5 a 5 milhões de nomes dos cerca de 6 milhões de assassinados. A família de Mojsie está entre o milhão que continua sem nome. Ele era o único sobrevivente do núcleo, e aparentemente nunca preencheu uma Página de Testemunho.
Buscando Stobiecki + Kalisz, aparecem cinco vítimas — de outra família:
| Nome | Nasc. | Profissão | Morte |
|---|---|---|---|
| Rafu Stobieski | 1890 | alfaiate | Auschwitz, câmara de gás |
| Leah Stobieski | 1895 | professora | Auschwitz, câmara de gás |
| Sonia Stobieski | 1925 | aluna | Auschwitz, câmara de gás |
| Bronia Stobieski | 1929 | aluna | Auschwitz, câmara de gás |
| Fania Stobitzki (n. Mordovitz) | — | dona de casa | — |
As quatro primeiras são um núcleo — pai, mãe e duas filhas —, registradas por Rachel Dorison Rothstein, neta. As fichas de Fania foram submetidas por Pola Lipshitz Marmelshtein, sobrinha.
Rafu era alfaiate, em Kalisz, com o mesmo sobrenome. Mojsie diz em [03:33] que o pai tinha quatro irmãos e uma irmã, e que os irmãos moravam na mesma cidade; e em [129:29] mostra a foto de "um irmão do meu pai", de quem diz "ele quase criou nós". Rafu Stobieski é um candidato plausível a ser esse tio — mas isso é hipótese, não parentesco provado.
A hipótese virou quase certeza em 30/08/2026, em dois passos:
- A Księga Adresowa Polski de 1929 lista dois alfaiates Stobiecki em Kalisz — "Stobiecki H., Nadwodna 12" (Herz) e "Stobiecki R., Złota 1".
- A kartoteka de moradores de Kalisz (AP Kalisz, sygn. 4463) tem o cartão de Rafał Ber Stobiecki, nascido 02/02/1890 em Błaszki — irmão documentado de Hersz (mesmo pai, Fajbuś), morando na Złota 14, casado com Lenka(?), com filhas Cyrla (~1924) e Brajna (~1934), entre outros. Compare com as fichas do Yad Vashem: Rafu Stobieski, 1890, alfaiate — mulher Leah, filhas Sonia (1925) e Bronia (1929), todos mortos em Auschwitz. Mesmo ano de nascimento, mesma profissão, mesma rua, nomes das filhas compatíveis (Cyrla→Sonia? Brajna→Bronia — datas de cartão são aproximadas). Rafu era, com altíssima probabilidade, o tio de Mojsie — possivelmente o da foto de [129:29], "ele quase criou nós".
E os destinos das duas casas pareciam espelhar os dois caminhos da comunidade: a família de Hersz, expulsa em dezembro de 1939, no caminho A (Lublin); e a rua Złota — onde Rafał morava — é exatamente onde funcionou o gueto residual de Kalisz (Złota 13/16/18, 1940–42), liquidado para o gueto de Łódź em julho de 1942, de onde os últimos deportados foram para Auschwitz, onde as fichas do Yad Vashem dizem que Rafu, Leah, Sonia e Bronia morreram. (A identificação Rafał=Rafu segue formalmente uma inferência — falta um documento que ligue as grafias — mas cada peça é documental.)
Adendo de 31/08/2026 — Annopol: as listas foram lidas por inteiro, e o quadro mudou. A primeira sondagem achou um "Stobiecki Rafał" em listas de ajuda a refugiados em Annopol (Janów Lubelski, distrito de Lublin). Uma segunda passada conseguiu extrair, pela API do próprio Yad Vashem, os 1.741 registros completos das onze listas (catálogo, D17). O resultado:
- Rafał Stobiecki, refugiado, "3 membros na família" — em cinco listas, de 15/07/1940 a 12/04/1941; depois some.
- Em 05–10/04/1941, uma família de cinco é deportada da cidade de Lublin para Annopol (grafada "Stobcki" na fonte): Eisik/Eizyk, Freidel, Izrael, Rachel e Syza. Quatro desses nomes batem com o cartão de Kalisz do tio Ajzyk (karta 225: Ajzyk × Frajdel, filhos Izrael, Rachel…) — e "Syza"≈Szyja seria o quinto filho, com o nome do bisavô.
- "Ajzyk Stobiecki" aparece então nas listas de ajuda de Annopol de 30/05 a 31/10/1941.
- Hersz, Regina, Marjem, Szyja e Majer NÃO aparecem em nenhuma das onze listas.
O que isso estabelece (e o que não): os dois irmãos de Hersz — Rafał e Ajzyk — estavam em Annopol em 1941, tendo passado pela cidade de Lublin; ou seja, foram expulsos de Kalisz para o distrito de Lublin como a historiografia descreve, e como a família de Hersz. Mas a família nuclear não está nas listas de Annopol — onde Hersz e Regina passaram 1940–42 (Lublin cidade? outra localidade do distrito?) continua sem documento. Duas pistas novas, da mesma varredura:
"Moses Stobjecki" morto em Majdanek— verificado em 31/08 e descartado como parente direto: o "livro memorial" é a Księga zmarłych więźniów. Majdanek 1942 (a edição científica do registro de óbitos do próprio campo, 18/05–29/09/1942, original sygn. I d 19 do Museu de Majdanek), e a linha diz: prisioneiro nº 8875, nascido 13/12/1919 em Łódź, morto 31/07/1942. Não é de Kalisz. (Uma hipótese lateral testável: o tio Szaja Majer vivia em Łódź desde 1917 — um filho "Moses" nascido lá em 1919 seria cronologicamente possível; especulação, registrada como tal.)- A varredura completa do registro de óbitos de Majdanek de 1942 (6.533 nomes) achou 13 pessoas de Kalisz — nenhum Stobiecki. Este negativo não refuta a hipótese Majdanek: o registro cobre só 18/05–29/09/1942, e quem era gaseado na chegada — a norma para mulheres, crianças e homens não selecionados para trabalho — em geral nem era registrado. Mas é um negativo honesto, e vai documentado.
- O morto de Ebensee é o PRIMO Ajzyk, não o tio — resolvido em 01/09/2026 (segunda passada). A ambiguidade dos dois Ajzyk de 1901 se desfez: os registros do gueto de Łódź têm o Ajzyk nascido em Błaszki em 03/02/1901 (o primo, filho de Jankiew Wołek), correeiro, Drewnowska 21/33, com esposa Mariem Ita e três filhos — e o USHMM liga esse morador do gueto ao prisioneiro de Mauthausen nº 136293 (o número do cartão de Ebensee), via o livro de óbitos do campo, com o elo intermediário "Eisik Stobiecki, n. 1901" numa lista do Kommando Wolfsberg (Gross-Rosen, nov/1944) — a rota clássica Łódź → Auschwitz (ago/1944) → Gross-Rosen → Mauthausen → Ebensee. O cartão com a cruz vermelha em
../pesquisa/docs/é a morte do primo. O tio Ajzyk (de Kalisz, com Frajdel) volta a ter destino aberto após outubro de 1941 em Annopol — o desfecho provável da comunidade de Annopol foi Bełżec, outubro de 1942.
E a pista nova mais importante — Lublin, verificada na base pública do USHMM (01/09/2026): o Initial Registration of Lublin's Jews (out/1939–jan/1940) — exatamente a janela da chegada do trem de Kalisz de 02/12/1939 — indexa "Stobiecki, Ajzyk" e "Stobiecki, Izrael" (o par bate com o tio Ajzyk e o filho Izrael do cartão de Kalisz; consistente com a deportação Lublin→Annopol de abr/1941). E o City of Lublin Death Incidents Register (nov/1941–jan/1942) indexa "Stobiecki, Aser Hersz" — um Stobiecki morto no gueto de Lublin nessa janela. "Aser Hersz" ↔ "Hersz Aron": a inversão e a troca Aron/Aser são plausíveis num registro manuscrito indexado — é o candidato mais direto já encontrado a ser o próprio pai de Mojsie, morto no gueto antes da liquidação de março–abril de 1942. Não confirmado: pode ser outro homem do clã. A verificação é simples e está ao alcance da família: o Document Request Form do USHMM (gratuito, remoto) envia a cópia digitalizada dos três registros — idade e endereço decidem. Pedido pronto: ../pesquisa/pedidos-prontos.md, item 10. Se confirmado, a resposta central se refinaria: Hersz morto no gueto de Lublin (fome/doença, 1941); Regina e as crianças levados na liquidação de 1942 — para Bełżec ou Majdanek, os dois destinos dessa liquidação; e o relato da vizinha ("estava com eles no campo") seguiria valendo para eles.
A identificação Rafał-de-Annopol = tio Rafał Ber segue provável, não provada (as listas não trazem idade nem naturalidade; os scans — pasta AJDC de Annopol, online no site do JDC — e as pastas ŻSS no ŻIH podem trazer).
Consequência para as Páginas de Testemunho: se Rafał=Rafu, a submissora das fichas dele — Rachel Dorison Rothstein, neta de Rafu — é prima em segundo grau dos netos de Mojsie. O contato, se a família um dia quiser, é decisão da família.
Buscas por variantes de "Hersz Stobiecki" retornam registros de Łask, Łódź, Pajęczno e Wieluń — todas na mesma região de Błaszki, onde nasceu Herz. O sobrenome é dali. Nenhum é de Kalisz.
Observação de método: os registros do Yad Vashem consultados são memoriais públicos. O nome da submissora aparece aqui porque é parte do registro público. Qualquer contato é decisão da família, não deste dossiê.
O que decorre disso — e é acionável#
A família pode preencher Páginas de Testemunho para Herz, Regina, Shia, Marisha e o irmão caçula.
Vocês têm hoje mais material do que a maioria de quem faz isso: nomes, cidade natal, endereço, profissão do pai, nomes dos avós, uma fotografia datada de 1938 com todos eles, e o testemunho em vídeo do único sobrevivente do núcleo, gravado em 1997. Do caçula não se tem o nome — mas o registro aceita "nome desconhecido" com a descrição, e ele existiria no memorial.
É a única coisa neste projeto inteiro que muda alguma coisa fora da família.
Ver ../pesquisa/proximos-passos.md.
Fontes#
- Martin Dean, verbete "Kalisz", USHMM Encyclopedia of Camps and Ghettos, vol. II — via Wirtualny Sztetl, "Getto w Kaliszu" (funil de Lublin: ~2.500 kaliszanos, primeiros transportes a Bełżec em mar–abr/1942, "só uma pequena parte" em Majdanek, ≥3.000 mortos em Bełżec, ~200 em Sobibór; os 337 retornados e os 5 de Majdanek) — recuperado em 30/08/2026
- Yad Vashem, Deportations Database — Kalisz
- Kalisz Yizkor Book, pp. 275–293 — JewishGen
- History of the Jews in Kalisz — Wikipedia
- Chełmno (Kulmhof) Killing Center — USHMM
- Operation Harvest Festival — Wikipedia
- Banco Central de Nomes das Vítimas da Shoá — Yad Vashem (consultado em 29/08/2026)
- Fichas consultadas: Rafu Stobieski · Leah · Sonia · Bronia · Fania Stobitzki
- Nota: os livros memoriais de Kalisz (Sefer Kalish 1964/68 e Toldot Yehude Kalish 1960) não têm necrologia de vítimas do Holocausto e não mencionam a família Stobiecki — verificado por busca no texto completo (OCR + tradução inglesa integral) em 30/08/2026