Registra o que foi encontrado, o que foi descartado e o que ficou sem resposta. Quatro rodadas: 29/08 (etapa 2), 30/08 (aprofundamento), 31/08 (verificações do catálogo) e 01/09/2026 (pendências técnicas). A mais recente primeiro. O catálogo consolidado, ligado às falas da entrevista, está em ../CATALOGO-DOS-ACHADOS.md.
Rodada de 01/09/2026 (pendências técnicas)#
1. Szukaj w Archiwach: bloqueio confirmado como permanente para este IP — mas os scans estão mapeados ato a ato#
O Imperva segue negando (Error 16 "duro", sem desafio — nada que um navegador resolva). Em compensação, o índice JRI entregou as URLs exatas de cada scan no SwA (jednostka + página), prontas para abrir de qualquer outra rede (4G do celular serve): Hersz Aron 56/1886 (jednostka 1506023, p. 36), casamento de Fajbuś 2/1884 (1506028, p. 80), Szyja 5/1834 (1506021, p. 89), Rafał Ber 6/1890 (1506023, p. 133), Ajzyk 9/1901 (1625362, p. 61), e o cartão de Łódź do Szaja Majer (6209467, p. 221). Detalhes na tabela de ../fontes/dados-biograficos.md. Alternativas com conta própria (não usadas por este projeto): FamilySearch (microfilmes 1608622, 127713/127714, 743144) e GenBaza.
2. A genealogia de Błaszki desceu mais duas camadas#
Do índice completo (30 registros Stobiecki de Błaszki extraídos):
- O casamento dos bisavós (17/01/1884) traz os pais da noiva: Krajndla Ryfka Koszerek era filha de Majer Koszerek × Zysla Mariem SZWARCBART — mais um casal de antepassados nomeados.
- Brana Grynbaum, a mãe de Fajbuś, morreu em 1865, aos 28 anos (ato 62/1865; pais Fabisz & Frajdel) — Fajbuś ficou órfão de mãe aos 4. O patriarca Hersz morreu em 10/02/1872.
- Datas exatas: Szyja n. 19/04/1834; Rafał Ber n. 02/02/1890 (idêntica ao cartão de Kalisz ); Ajzyk n. 16/03/1901; Szaja Majer n. 22/08/1898 (registro tardio, ato 14/1900).
- Armadilha descoberta: dois Ajzyk Stobiecki nascidos em Błaszki em 1901 — o tio (9/1901, filho de Fajbuś) e um primo (4/1901, filho de Jankiew Wołek). Consequência: a identificação do morto de Ebensee ("n. 1901, Błaszki") foi rebaixada de "fechada" para "muito provável" — a cadeia Annopol/Frajdel continua apontando o tio.
- Lacunas reais de acervo: não existe livro de nascimentos de Błaszki 1877–84; os livros 1914–22 só existem em microfilme LDS (o arquivo estatal não os tem).
3. O ato do Szyja (Kalisz, 1922) segue dependendo do SwA#
O índice do JRI para Kalisz cobre só 1809–92 — o número do ato de 06/03/1922 não é obtível por nenhum índice; está nos scans das sygn. 181/182 do fundo 693 (SwA), acessíveis de outra rede.
4. LUBLIN: a família no lugar e na hora exatos — e o candidato a desfecho de Hersz Aron#
Verificado na base pública do USHMM (01/09): o Initial Registration of Lublin's Jews (out/1939–jan/1940) — a janela exata da chegada do trem de Kalisz de 02/12/1939 — indexa "Stobiecki, Ajzyk" e "Stobiecki, Izrael" (o par bate com o tio e o filho do cartão de Kalisz; consistente com a deportação Lublin→Annopol de abr/1941). E o City of Lublin Death Incidents Register (nov/1941–jan/1942) indexa "Stobiecki, Aser Hersz" — um Stobiecki morto no gueto de Lublin antes da liquidação. "Aser Hersz" ↔ "Hersz Aron" é inversão plausível de índice: é o candidato mais direto já encontrado ao desfecho do pai. A cópia dos registros (idade, endereço) sai pelo Document Request Form do USHMM — gratuito e remoto (pedido pronto, item 10 de pedidos-prontos.md). Catálogo: D19.
5. Ebensee corrigido: o cartão é do PRIMO Ajzyk — e o gueto de Łódź mapeado#
Segunda passada resolveu a ambiguidade dos dois Ajzyk de 1901 na direção oposta: os registros do gueto de Łódź têm o primo (n. 03/02/1901, Błaszki; correeiro, Drewnowska 21/33, esposa Mariem Ita, 3 filhos) e o USHMM o liga ao prisioneiro de Mauthausen nº 136293 — o número do cartão de Ebensee. Rota: Łódź → Auschwitz (ago/1944) → Gross-Rosen/Wolfsberg → Mauthausen → Ebensee, † 20/03/1945. Existe um pedido de identidade de 1940 com FOTO dele no acervo do gueto (requisitável — item 10 dos pedidos). O tio Ajzyk volta a destino aberto (provável Bełżec com a comunidade de Annopol, out/1942). De quebra, o gueto de Łódź inteiro foi mapeado para o sobrenome (54 registros: as famílias de Josek 1899 — que sobreviveu, do casal Moszek×Sura → Chełmno 1942, de Bełchatów, Łask e Wieluń — com o sobrevivente Idel Stobiecki, n. 1920, via Buchenwald/Theresienstadt).
6. A hipótese "Moses de Majdanek = filho de Szaja Majer" enfraqueceu#
Szaja Majer era solteiro no cartão de Łódź; nenhum casamento dele indexado (Łódź 1906–39, Błaszki 1915–39); nenhum nascimento Stobiecki em Łódź 1918–22 no índice; e o Moses (n. 13/12/1919) não aparece em nenhum registro do gueto de Łódź. Leitura provável: o Moses de Majdanek chegou lá via gueto de Lublin (a liquidação de mar–abr/1942 mandou homens aptos a Majdanek) — não via Łódź. Curiosidade que fica: no pós-guerra há um "Josef Stobjecki, n. 15/12/1898" na Baviera — a única outra ocorrência da grafia rara "Stobjecki" em todo o Arolsen (doc 70260383; o scan pede um clique de consentimento LGPD que só a família deve dar).
7. A fotografia da família do tio Rafu — copiada (01/09/2026, noite)#
A foto anunciada na rodada de 31/08 (registro 13987692) foi recuperada do Photo Archive do Yad Vashem (item 14194091; página renderizada em navegador, sem captcha) e está em docs/yadvashem-13987692-foto-familia-rafu-leah-stobieski.jpg (1677×885 px, 400 dpi — reprodução de recorte impresso, granulada). Cinco pessoas sentadas: um homem de terno e gravata, calvo, bigode (o único homem — Rafu, se a leitura das fichas está certa), uma mulher de meia-idade de vestido escuro ao lado dele, e três moças (uma de vestido claro estampado, uma menina de gola branca, uma jovem de cabelo curto à direita) — compatível com "3 Girls" da Página de Testemunho. Ressalva a preservar: na ficha da própria Leah, "Rafu" está no campo "pai da vítima", não "marido"; a leitura "casal + três filhas" vem do conjunto das quatro fichas e da foto. O scan da Página de Testemunho (2542×3543) não foi copiado: traz endereço e telefone da submissora (Rachel Dorison Rothstein, St. Petersburg, Flórida, 17/05/2000, assinada em Jerusalém) — dados pessoais de terceiros; a URL fica nas notas, não o arquivo. Uso da foto: autorizado (a família confirmou a permissão em 01/09/2026). Catálogo: P08.
Re-sondagem dos bloqueios na mesma noite: Szukaj w Archiwach (403), JDC Archives (403, Cloudflare), fotopolska (sem resposta), ŻIH (aviso oficial de migração, sem prazo) — tudo igual; Hemeroteca da BN e Genealogy Indexer no ar. A lista consolidada do que só a família pode fazer está em pendencias-da-familia.md.
8. As pastas AJDC de Annopol, LIDAS NOS SCANS (01/09/2026, noite — via o Chrome do Flavio, que passou pelo Cloudflare)#
As duas pastas do fundo AJDC-Varsóvia (ŻIH 210/240 e 210/241, "Annopol: Correspondence with the Jewish Council", 1 e 2 de 2) foram abertas documento a documento no site do JDC Archives — 35 itens, dos quais 9 lidos por inteiro (tudo o que é lista nominal, atestado ou nota; o resto é correspondência AJDC↔Rada Żydowska e relatórios financeiros). Referência dos PDFs: search.archives.jdc.org/multimedia/Documents/W_3941/W_3941_010/W_3941_010_00NN.pdf (cópias para docs/ dependem do download pelo navegador — ver pendencias-da-familia.md, A1).
O que dizem, em ordem cronológica:
| Data | Documento (item JDC · PDF) | O que traz |
|---|---|---|
| 20/03/1940 | Zaświadczenie nr 4/40 da Rada Żydowska de Annopol (2630181 · 0038) | "na Gmina local moram há 4 meses 63 refugiados" — certificado emitido a Fabian Mielżyński para apresentar ao Joint em Varsóvia; assina o presidente Binem Mandelkiern; a firma é reconhecida pelo wójt Stanisław Szczepański |
| 26/03/1940 | Nota manuscrita da delegação do Joint (2630182 · 0039) | "Osada Annopol liczy 350 rodzin żydow. … W grudniu r.ub. przybyło 63 uchodźców z Kalisza, Łodzi, Radomska i Poznania" — 63 refugiados chegaram em dezembro de 1939, de Kalisz, Łódź, Radomsko e Poznań; a delegação estima 63 refugiados + 137 pobres locais = 200 pessoas a socorrer; nenhuma ação até então; sem local para cozinha; orçamento mensal 3.000 zł |
| 17/06/1940 | "Lista de judeus de Annopol com cônjuge ou pais no exterior" (2630183 · 0040) | 27 pessoas, todas naturais de Annopol (parentes em Cuba, Argentina, Brasil, Uruguai, França, EUA, Palestina). Nenhum Stobiecki — a lista é dos locais, não dos refugiados |
| jul/1940 | "Dary Amerykańskie — Pokwitowanie" (2630185 · 0043) | recibo-modelo do Judenrat pelos donativos americanos (gorduras, leite condensado, farinha, kasza, açúcar, roupas); sem nomes |
| 15/07/1940 | Recibo nominal de produtos e roupas do "Joint" pelo Komitet Pomocy Uchodźcom (2630187 · 0045 e 2630189 · 0048 — duas vias) | 26 famílias, 85 pessoas. Linha 4: "Stobiecki Rafał — 4 osób" — 2,6 kg farinha, 0,20 açúcar, 0,40 banha, 1,15 kasza, sabão, duas peças de roupa — e, na coluna Pokwitowanie, a assinatura "Rafał Stobiecki", de próprio punho. Linha 19: "Zajfen Chaim Dr., 5 pessoas" — recibo assinado "Za Doktora Zajfena, M. Stobiecki" (por procuração do Dr. Zajfen, M. Stobiecki). Assinam o comitê: Fabian Mielżyński (prezes), Fr. Zajf(e?), Szulman, P. Horenfeld, M. Kapłan |
| 08/09/1940 | Recibo nominal (2630192 · 0053, 4 pp. = original + cópia) | 27 famílias, 112 pessoas. Linha 5: "Stobiecki Rafał — 4" (farinha de centeio 0,40, de trigo 0,35, kasza 0,15, banha 0,20, leite 0,15); assinatura "R. Stobiecki" |
| 11/11/1940 | "Wykaz uchodźców i najbiedniejszej ludności zam. w Annopolu Lubelskim — przydział mąki pszennej otrzym. od A.J.D.C. w Lublinie" (2630199 · 0067, 6 pp.) | Wykaz nr 1 (refugiados): 20 entradas, 46 pessoas, 44 kg; linha 6: "Stobiecki Rafał — 4 osób — 2 kg", com assinatura. Wykaz nr 2 (pobres locais, 21–52): 107 + 39 pessoas. Total 205 pessoas, 167,5 kg; assina B. Mandelkiern |
| 05/01/1941 (recebida 10/02/1941, nr 76/41) | "Lista uchodźców mieszkających w osadzie Annopol" (2630203 · 0077, 3 pp.) | 59 famílias (chefe + nº de pessoas). Linha 17: "Stobiecki Rafał — 4 osób". Linha 25 riscada ("zmarł.") — a lista era mantida viva. Assinam I. Feldman / B. Mandelkiern |
O que muda:
- A rota Kalisz → Annopol está documentada na fonte: os 63 refugiados de Annopol chegaram em dezembro de 1939, e a nota do Joint nomeia Kalisz em primeiro lugar entre as origens. É o mês dos dez trens (02–14/12/1939). Rafał Ber não "apareceu" em Annopol em 1940: desembarcou lá do transporte de Kalisz, com quase certeza o de 02/12 para Lublin.
- Rafał está em Annopol com 4 pessoas em todas as quatro listas (jul/1940 → jan/1941), não 3 como dizia o índice do Yad Vashem. O cartão de Kalisz de 1934 dá a ele mulher e três filhas (5); a Página de Testemunho de Leah, "3 Girls". Uma pessoa a menos — a explicar.
- Assinaturas de próprio punho: "Rafał Stobiecki" (15/07/1940) e "R. Stobiecki" (08/09/1940) — a letra do tio.
- "M. Stobiecki" assinou pelo Dr. Chaim Zajfen em 15/07/1940: alguém da família com inicial M., alfabetizado em polonês cursivo, adulto o bastante para assinar por um médico. Candidatas: uma filha de Rafał (nomes ainda desconhecidos — cartão 223 do AP Kalisz) — ou, hipótese a testar com muito cuidado, Marjem, a irmã de Mojsie, que "estava fora do campo" [86:04]. Registrar, não concluir.
- Negativo firme: Hersz, Regina, Marjem, Szyja, Majer, Ajzyk e "Grodans/Graudans" não constam de nenhuma das cinco listas nominais de jul/1940 a fev/1941 (a família do Ajzyk só chega em abr/1941, como já se sabia). Se a família nuclear estava no distrito de Lublin, não era em Annopol.
- As listas não têm coluna de idade nem de cidade de origem — só nome, nº de pessoas, quantidades e assinatura. A esperança de "idade e naturalidade" não se cumpre aqui.
Catálogo: D17 (atualizado). Cópias dos 9 PDFs em docs/jdc-w3941-010-*.pdf (baixadas em 01/09/2026, com autorização; recortes das linhas 4 e 19 e da nota do Joint em docs/jdc-annopol-*.png).
9. Os cartões dos tios em Kalisz, lidos (01/09/2026, noite) — Rafu = Rafał, fechado; o "M." não é filha dele#
Os scans 0227–0232 da pasta 4463 (zasobap.kalisz.pl → "Kartoteka miasta Kalisza" → 4463; o portal é um catálogo de arquivos com botão "Pobierz" por scan) foram baixados para docs/. Os números impressos (222–227) são páginas, não cartões: recto e verso recebem números seguidos. Lidos:
Página 223 (scan 0228) — o cartão de Rafał, "Wzór nr 7": Stobiecki Rafał, n. 02/02/1890, Błaszki, pais Fajwuś i Kreindel z domu Koszerek, alfaiate (krawiec), soldado raso (PKU Kalisz, nº 390). Mulher: Lewie, z domu Popov (grafia incerta: "Popor/Popov"), n. 16/02/1895, Stawiszyn (pow. Kalisz), pais Gedalje i Cyrla z domu Moszkiewicz. Residência: ul. Złota nr 1 (a alfaiataria "Stobiecki R., Złota 1" do livro de 1929 é a casa dele — corrige "Złota 14" das notas anteriores). Filhas: 1. Cyrla, 01/07/1920; 2. Zysel, 13/06/1923; 3. Brajna, 17/07/1929 — todas em Kalisz. Verso (página 224, scan 0229): veio de Błaszki em 07/06/1920, registrado 23/10/1931; endereços: Złota 1 (desde 01/06/1920), P.O.W. 1 (saiu 17/02/1939), Babina 16 (desde 22/02/1939) — o último endereço de Kalisz antes da expulsão.
O que isso fecha:
- Rafu = Rafał Ber: . A Página de Testemunho de Leah dá "n. 1895, Kalisz, 3 filhas"; o cartão dá Lewie, n. 1895 (Stawiszyn, a 20 km), três filhas. Mesma mulher, mesma casa. A foto do Yad Vashem (D20) é de Rafał, Lewie e as três meninas — e as três têm nome: Cyrla, Zysel e Brajna (em 1940: 20, 17 e 11 anos).
- O "M. Stobiecki" de Annopol (15/07/1940) NÃO é filha de Rafał nem a mulher dele. Nenhum nome da casa começa com M. A hipótese Marjem (a irmã de Mojsie, 21 anos em 1940, "fora do campo" segundo a vizinha) fica sem concorrente dentro da família de Rafał — mas continua : pode ser outro Stobiecki de Annopol fora das listas, ou um genro — e o item 10 achou um concorrente real: a prima Marjem, filha de Abram Lajb, n. 14/06/1918. Os "4 osób" de Rafał em Annopol = casal + duas filhas (uma das três não estava com eles) — ou casal + uma filha + Marjem. Não dá para decidir com o que há.
Página 225 (scan 0230) — o cartão do tio Ajzyk: Ajzyk, n. 3 lutego 1901 (03/02/1901), Błaszki, pais Fajbusz i Krandla Ryfka z domu Koszerek, alfaiate; mulher Fradel z domu Markowicz, n. 26/12/1897, Stawiszyn (pais Dawid i Rachela z d. Litman); ul. Nowa 15. Filhos: Izrael 13/06/1926; Rachel 17/09/1930; Fajga e Zysa, gêmeas, 28/01/1932 — Fajga riscada: "zmarła w Kaliszu dn. 17.VIII.1932, akt 113/32" (verso, página 226/scan 0231: veio de Błaszki em 01/06/1922; Nowa 15, depois P.O.W. 33). É exatamente a família "Eisik, Freidel, Izrael, Rachel, Syza" deportada Lublin→Annopol em abr/1941 (D17). Atenção à correção de 01/09 (Ebensee = primo): ela se apoiava na data 03/02/1901 como data do primo (ato 4/1901). O cartão do tio dá a mesma data, 03/02/1901 (o JRI dá ao ato 9/1901 do tio a data 16/03/1901). A data deixa de separar os dois; o que separa é a rota e a família: o Ajzyk do gueto de Łódź tinha mulher Mariem Ita; o tio tinha Fradel e estava em Lublin/Annopol 1939–41. A identificação do morto de Ebensee como o primo continua provável, não fechada — registrar em P08.
Página 227 (scan 0232) — os avós: Fajbuś (n. 30/10/1861, Błaszki; pais Szaja i Brana z d. Grinban) × Krajdel-Ryfka (n. 09/07/1860, Błaszki; pais Majer i Zysla-Marjem z d. Szwarcbart), handlarz; ul. Nadwodna 6 (não o mesmo prédio dos filhos, que ficava no 10/12 — a "mesma casa" das notas anteriores era leitura apressada); anotação "stały mieszkaniec m. Błaszek"; nomes riscados em vermelho, saídas registradas 264/I-31 e 1677/I-33 (mortes ou retorno a Błaszki — a verificar nos atos de óbito).
Página 222 (scan 0227) — verso do cartão anterior (221, não baixado): alguém vindo de Błaszki em 01/07/1929 (Stawiszyńska 9 → Ciasna 19, 1934) com a nota "mąż wyj[echał] 15.9.39 do wojska(?)…" — "o marido partiu em 15/09/1939 para [o exército?]". Pode ser a tia Brana ou a mulher de Kasriel. Baixar 0216–0226 para fechar (pendência A10).
10. O resto da caixa 4463 (scans 0216–0226), lido — Kasriel, Abram Lajb e uma SEGUNDA Marjem Stobiecka#
Scans baixados e lidos na mesma noite (regra confirmada: scan n = página n−5; recto e verso numerados em sequência). O que há:
| Página (scan) | Quem | O que diz |
|---|---|---|
| 211–212 (0216–0217) | Stanisława Stobiecka, n. 18/04/1870, católica, Nowy Świat 51, † 14/12/1951 | homônima, sem relação |
| 215–216 (0220–0221) | Marja-Aurelia Stobiecka, n. 13/06/1909 Kraków, católica, médica; de Poznań, 1933–34 | homônima, sem relação |
| 217–218 (0222–0223) | Abram-Lajb Stobiecki (n. 29/01/1880, Błaszki; pais Szyja i Marjem z domu Birnbaum; nauczyciel w chederze — professor de cheder) × Ryfka-Rajzla z domu Szejnholc (n. 1883, Błaszki; pais Szlama i Malka); ul. 3-go Maja 12 → P.O.W. 24 (24/06/1936) | Filhos: Chana-Sura 14/01/1913 Łódź; Ruchla 12/02/1914 Łódź; Marjem 14/06/1918 Błaszki; Dwojra 29/03/1921 Błaszki; Rachela 17/07/1923 Błaszki; Szlama-Szyja 15/11/1925 Błaszki. Verso: "mąż zmarł — akt zejścia ks. St. Cyw. nr 194/38, 16.12.38" — Abram Lajb morreu em 16/12/1938; nome riscado em vermelho |
| 213–214 (0218–0219) | Ruchla Stobiecka, n. 12/02/1914 Łódź, filha de Abram-Lajb i Ryfka-Rajzla; solteira; cartão próprio (3-go Maja 12 → P.O.W. 24) | a filha de Abram Lajb com cartão separado (maior de idade) |
| 221–222 (0226–0227) | Kasriel Stobiecki (n. 10/06/1903, Błaszki; pais Fajbiś i Krajndla z d. Koszerek; alfaiate; soldado raso, PKU Kalisz nº 42) × Sura Rywka z domu Kałan(?) (n. 1904, Błaszki; pais Lajzer i Rojza z domu GRANDANS); Stawiszyńska 9 → Ciasna 19 (05/01/1934) | Filho: Lajzer, 19/12/1930, Kalisz. Verso, UWAGI a lápis: "mąż wym[eldowany] 15.9.39 do wojska(?) … na kartach N. 2" — Kasriel deu baixa do registro em 15/09/1939, destino de leitura incerta (provavelmente "para o exército"), anotado num "cartão nº 2" |
O que muda:
- Abram Lajb é filho de Szyja (o trisavô, n. 1834) com uma segunda mulher, Marjem Birnbaum — Brana Grynbaum morreu em 1865; Abram Lajb nasceu em 1880. É meio-irmão de Fajbuś, tio de Hersz Aron, tio-avô de Mojsie. Professor de cheder. Morreu em Kalisz em 16/12/1938, um ano antes da expulsão — a viúva Ryfka-Rajzla e os filhos ficaram.
- Existe uma SEGUNDA Marjem Stobiecka em Kalisz: n. 14/06/1918, filha de Abram Lajb, 22 anos em 1940, morando na P.O.W. 24 — a mesma rua onde Rafał morou (P.O.W. 1) até fev/1939. É um concorrente real para o "M. Stobiecki" que assinou por Dr. Zajfen em Annopol (item 8): a hipótese "Marjem = irmã de Mojsie" (n. 04/05/1919) agora divide o campo com "Marjem = prima, filha de Abram Lajb" (n. 14/06/1918). As duas têm o mesmo nome, quase a mesma idade e ligação com a casa de Rafał. Só um documento de Annopol com data de nascimento decide.
- Kasriel: n. 10/06/1903 (as notas diziam ~1902), alfaiate como os irmãos, casado com uma neta Grandans (Rojza Grandans, mãe de Sura Rywka — o segundo laço entre as famílias, agora com nomes); filho Lajzer (1930). Saiu de Kalisz em 15/09/1939 — dez dias antes da rendição de Varsóvia — para destino anotado como "wojska(?)": se for "exército", é um segundo Stobiecki na mobilização de setembro, como Mojsie. Não consta de Annopol.
- A tia Brana (1885) e Szaja Majer (foi a Łódź em 1917) não estão nestes scans — os cartões deles, se existem, ficam noutra parte da caixa (a ordem é alfabética por nome próprio dentro do sobrenome; 0216–0232 cobre Abram-Lajb → Stanisława).
Catálogo: P08. Cópias em docs/apkalisz-4463-scan02NN-*.
Rodada de 31/08/2026 (verificações do catálogo)#
1. O Joint registrou a partida dele — e existe um dossiê "BR 1001"#
No índice de nomes do JDC Archives: "STOBIECKI Moniek — Paris File # BR 1001 — destino BRAZIL — navio GROIX", no Administrative Memorandum #275 do quartel-general de emigração do AJDC, 18/11/1947 (coleção "Departures from France, 1947"; indexado com o erro "Storiecki", mas o datilografado é claro). Fecha com a chegada a Santos em 06/12 (Groix) e revela que o serviço de emigração do Joint em Paris mantinha um dossiê dele (BR 1001) — solicitável ao JDC Archives, junto com o US.6235 da Tauba. Catálogo: D15.
2. As fichas de Rafu no Yad Vashem — sem endereço, mas com uma fotografia#
As quatro Páginas de Testemunho (lidas campo a campo, inclusive os manuscritos): não trazem rua (só "Kalish") — não fecham a identificação Rafał=Rafu, que segue provável. Acrescentam: "3 Girls" (o cartão de 1934 também lista três crianças), Leah era professora, e — o mais tocante — existe no Yad Vashem uma fotografia da família de Rafu: o casal e as três filhas, submetida pela neta Rachel Dorison Rothstein em 2001 (registro 13987692). Ressalva: a ficha dá o nascimento de Rafu em "Kalisz" (o cartão de 1934, fonte primária, diz Błaszki — informação de neta 60 anos depois; mantemos o cartão). Catálogo: P08.
3. O túmulo da Frania — sem registro online; o caminho é o inventário de 2013#
Nenhum banco online cobre os cemitérios de Kalisz (o JOWBR do JewishGen tem zero registros de lá; o banco da Foundation for Documentation não inclui Kalisz). O quadro local: o cemitério velho (preferido pelas famílias até ~1932) foi destruído — lápides usadas pelos alemães nas margens do Prosna; ~2.000 recuperadas do canal em 1989. O novo (Podmiejska 21) tem ~100 lápides de ~3.000 — com exemplar legível de 1931. Em 2013 o TOnZ Kalisz anunciou um inventário completo dos dois cemitérios com busca online por nomes — a URL não foi localizada (possivelmente fora do ar); reencontrá-la, ou escrever à zeladoria do cemitério, é o caminho para procurar a sepultura de 1930. Bônus: no cemitério novo está o memorial com as cinzas e macewas trazidas do cemitério destruído de Błaszki (1967) — o cemitério dos bisavós. Catálogo: P02.
4. A linhagem de Błaszki: cinco gerações com ato numerado#
O índice público do JRI-Poland para Błaszki (verificado registro a registro) documenta a linha paterna inteira: Hersz (~1806, curtidor) × Temera → Szyja (ato 5/1834) × Brana Grynbaum → Fajbuś (ato 87/1861, chapeleiro; casamento ato 2/1884 com Krajndla Ryfka Koszerek) → Hersz Aron (ato 56/1886 — nascido 20/06/1886, pai com 25 anos, mãe com 24) → Mojsie (1914). Os nomes dos filhos de Kalisz repetem os antepassados: Szyja (1922) tem o nome do bisavô de 1834; Hersz Aron, o do trisavô. O casamento Hersz × Regina cai na lacuna de indexação (Błaszki 1911–14) ou foi em Dobra. Links diretos dos scans (via Szukaj w Archiwach) na tabela de ../fontes/dados-biograficos.md. Catálogo: D16, P07.
5. Estado dos portais poloneses (31/08)#
- Szukaj w Archiwach: segue bloqueado desta rede (Imperva Error 16, três tentativas — filtro de IP, não transitório). Os links dos scans de Błaszki e dos livros de Kalisz 1921–22 estão prontos e funcionarão de outra rede/celular.
- ŻIH (CBJ/Delet): fora do ar por migração oficial para novo repositório, sem prazo — consulta só na sala de leitura em Varsóvia. A ficha de sobrevivente de 1945 do "Stobiecki Moniek" fica aguardando o novo portal.
- Genealogy Indexer: voltou ao ar. Nenhum Stobiecki em fontes de Kalisz. Sobre o "W. Horowicz" da fachada da loja: nenhum "W."; candidatos fracos registrados — A. Horowicz (guarda-chuvas, Wrocławska 18, calendário de 1914) e Juda Horowicz (Babina 11, PKO 1935/36). O único guia tardio de Kalisz no acervo (1938) não traz Horowicz na seção da cidade (OCR imperfeito).
- Geneteka: abriu (sem o bloqueio anterior) e confirmou de primeira mão: zero registros judaicos indexados de Kalisz e de Błaszki — a ausência é de cobertura, não de registros.
6. "Stobiecki Rafał" em Annopol, distrito de Lublin, 1940–41 — um achado que mexe com o mapa#
Na busca de documentos do Yad Vashem (não a de nomes): um Rafał Stobiecki aparece nominalmente em cinco listas de ajuda a refugiados judeus em Annopol (condado de Janów Lubelski, distrito de Lublin) entre jul/1940 e abr/1941 — víveres do JDC, farinha de Pessach da ŻSS — p.ex. a "List of Jewish refugees in Annopol", 05/01/1941 (originais no ŻIH; microfilmes YV JM/2806 e JM/3971). E mais quatro listas de Annopol acusam "Stobiecki" além do corte de exibição. Há ainda, no microfilme JM/1478 (originais no Arquivo Estatal de Lublin), uma "List of Jews from Lublin deported to the Janow Lubelski district, 1941" com "Stobiecki" — a deportação secundária da cidade de Lublin para o interior do distrito.
Leituras possíveis (nenhuma provada): (a) é o tio Rafał Ber — expulso de Kalisz para o distrito de Lublin como o irmão Hersz, e não permanecido no gueto residual da Złota; nesse caso o "Auschwitz" das fichas da neta seria sinédoque (de Annopol, a Aktion de out/1942 foi para Bełżec), e as duas famílias podem ter sido expulsas juntas; (b) é outro Rafał Stobiecki, refugiado de outra cidade. Os escaneamentos dessas listas não estão visíveis online — a confirmação (ano de nascimento, origem, quem mais está nas listas — Hersz? Regina? as crianças?) exige os originais no ŻIH ou a sala de leitura do Yad Vashem. É a pista documental mais direta já encontrada sobre onde a família pode ter estado em 1940–41. Catálogo: D17.
6b. As listas de Annopol foram LIDAS POR INTEIRO — os dois tios estavam lá; a família nuclear, não#
Segunda passada (31/08, tarde): um defeito do visualizador do Yad Vashem limitava cada lista a 50 linhas; pela API pública do próprio site foi possível extrair os 1.741 registros completos das onze listas. Resultado (detalhes no catálogo, D17, e a análise em ../contexto/12-…):
- Rafał Stobiecki (família de 3) — refugiado em Annopol de 15/07/1940 a 12/04/1941;
- A família do tio Ajzyk — Eisik/Ajzyk, Freidel (=Frajdel), Izrael, Rachel e Syza — deportada da cidade de Lublin para Annopol em 05–10/04/1941 (quatro nomes batem com o cartão de Kalisz, karta 225); Ajzyk segue nas listas de ajuda até 31/10/1941;
- Hersz, Regina e as crianças NÃO constam de nenhuma das onze listas (nem "Grodans");
- Peças novas: "Moses Stobjecki" morto em MAJDANEK entre 18/05–29/09/1942 (lista de um livro memorial — o primeiro Stobiecki documentado morto lá, na janela exata da Aktion Reinhard) e "Ajzyk Stobieck", n. 1901, morto no hospital de Ebensee em 20/03/1945 — possivelmente o tio, seis semanas antes da libertação.
Leitura honesta: a rota Kalisz→Lublin→interior do distrito está agora documentada na própria família (os dois tios); o paradeiro da família nuclear em 1940–42 segue sem documento — e é exatamente o que os scans físicos e as consultas a Majdanek/Bełżec podem fechar.
E os scans do fundo AJDC estão ONLINE — a um clique da família. A pasta de Annopol do arquivo da AJDC-Varsóvia (ŻIH 210/240) está digitalizada no site do JDC Archives, em dois arquivos — o segundo com a nota "Includes lists of refugees living in Annopol":
- File 240: <https://search.archives.jdc.org/notebook_ext.asp?item=2630178&site=ideaalm&lang=ENG&menu=1>
- File 241 (as listas): <https://search.archives.jdc.org/notebook_ext.asp?item=2630198&site=ideaalm&lang=ENG&menu=1>
O site pede um clique de verificação "Verify you are human" (Cloudflare) — que este projeto, por regra, não faz; em navegador comum abre normalmente. O que procurar nos scans: Stobiecki (Rafał e a família do Ajzyk — as listas físicas podem trazer idades e cidade de origem, que os índices não têm), Grodans/Graudans, e qualquer menção a Kalisz nas listas de procedência. As três pastas da ŻSS (ŻIH 211/187–189, 1941–42 — a de 1942 em polonês e alemão, a da liquidação) não estão no site do JDC: pedido pago ao ŻIH (archiwum@jhi.pl) ou leitura presencial no USHMM (RG-15.190M, bobina 13). Referências completas e corrigidas em pedidos-prontos.md.
6c. As verificações finais: a morte do tio Ajzyk, documentada — e o "Moses de Majdanek" resolvido#
- Ajzyk: muito provável (rebaixado de "fechado" em 01/09 — ver a rodada seguinte: Błaszki teve dois Ajzyk Stobiecki nascidos em 1901; a cadeia Annopol/Frajdel aponta o tio). O livro de óbitos de Mauthausen (base pública "Raum der Namen") registra: "Ajzyk Stobiecki — nascido 1901 em Błaszki — morto 20.3.1945 em Ebensee." O cartão do hospital de Ebensee (original no Yad Vashem O.41/139; cópia no Arolsen, doc. 1785014) diz, a lápis: "K/2 · P.J. 136293 · 18/3 45 · Stobiecki Ajzyk · 1901 · Dg. Oedema pedum · 20.3.45" — com a cruz vermelha. Pela vizinhança dos números de prisioneiro: evacuado de Gross-Rosen a Mauthausen em 03/03/1945. Morreu de inanição seis semanas antes de Ebensee ser libertado. Cópia:
docs/ebensee-hospital-cartao-ajzyk-stobiecki-1945.jpg. - O "Moses Stobjecki" de Majdanek: não é de Kalisz. O "livro memorial" é a Księga zmarłych więźniów. Majdanek 1942 (Museu de Majdanek, 2004 — a edição do registro de óbitos do próprio campo, mai–set/1942, sygn. I d 19). A linha: prisioneiro 8875, n. 13/12/1919 em Łódź, † 31/07/1942 (p. 148 — cópia em
docs/majdanek-ksiega-zmarlych-1942-p148.jpg). Hipótese lateral registrada: filho do tio Szaja Majer (em Łódź desde 1917)? — testável nos registros de nascimento de Łódź (JRI). - Negativo importante, com a ressalva devida: nos 6.533 nomes do registro de óbitos de Majdanek de 1942 há 13 pessoas de Kalisz — nenhum Stobiecki. Não refuta a hipótese: os gaseados na chegada em geral não eram registrados. Mas está documentado.
- Bônus: Moszek Stobiecki (n. 15/10/1904, Bełchatów) — ficha completa de Mauthausen (casado, 2 filhos, esposa Hinda Janowska, pintor; Auschwitz set/1943 → Mauthausen jan/1945, sem morte registrada — pode ter sobrevivido). Cluster de Bełchatów, provável outra família; cópia em
docs/mauthausen-hpk-moszek-stobiecki-belchatow.jpg.
7. Duas pistas de sobreviventes e reivindicações no pós-guerra polonês (USHMM)#
- "Stobiecki Cwi" — uma criança nas fichas de colônia de férias da TOZ em Dzierżoniów, 1947 (Baixa Silésia, polo de repatriados da URSS; fundo TOZ, unidade 815). Cwi é o equivalente hebraico de Hersz. Não está em nenhuma lista conhecida da família — possível parente sobrevivente (filho de um dos ramos?). Verificável por cópia da ficha (ŻIH/USHMM RG-15.107M).
- "Stobiecki J." e "Stobiecki Perec" — no arquivo 79 do Wydział Prawny do CKŻP (Comitê Central dos Judeus Poloneses): "Imóveis e outros assuntos patrimoniais — pessoas privadas, letra S", correspondência 1946–1950 (ŻIH 303/XVI/79; USHMM RG-15.089M/RG-15.247). "J." pode ser o Josef de Heidenheim (possível tio) — alguém da família reivindicando imóveis no pós-guerra. O prédio da Nadwodna/Parczewskiego era da família ([21:23]). Pedir cópia do arquivo 79 é um item novo de alto valor.
8. O rastro militar — mapeado; a medalha não está no Monitor Polski (até onde o OCR alcança)#
- Monitor Polski 1946–48: varredura COMPLETA em 01/09/2026 — 74/74 edições com listas de condecoração baixadas e grepadas. Stobiecki encontrados: um tenente Zygmunt (Srebrny Krzyż Zasługi, M.P. 1947 nr 23) e um Marian (M.P. 1947 nr 71) — ambos homônimos. Izrael/Mojsie não consta. Conclusão: a medalha dele saiu em ordem de comandante (rozkaz), não no diário oficial — a trilha é a kwerenda ao arquivo militar (pedido pronto, item 7 de
pedidos-prontos.md). Ressalva permanente: OCR dos anos 1940 é ruidoso; o negativo vale para o que o OCR alcança. - WBH/CAW (arquivo militar polonês): não há índice online de soldados do LWP (as bases parciais têm 5 Stobiecki, nenhum é ele). O acervo certo existe: fundos da 1ª Divisão Kościuszko (III-7), Teczki Akt Personalnych (inclusive soldados rasos), Kolekcja Krzyża Walecznych e os registros das RKU 1945–47 (a baixa dele foi em Łódź). O procedimento completo para a família (kwerenda gratuita de "przebieg służby", formulário, e-mail wbh.informacja@ron.mil.pl, o que citar) está em
proximos-passos.md. - USHMM, demais hits "Stobiecki": documentados e majoritariamente homônimos (clusters de Częstochowa/Radomsko e Piotrków/Bełchatów; um Stanisław em Stutthof; passaportes 3156–58 para a Palestina anos 30, indefinidos). Um caso a acompanhar: Rubin Majer Stobiecki, fuzilado em Łask em 18/09/1939 (inquérito S 34/73, IPN) — região de Sieradz, mais próxima do território do sobrenome; parentesco não estabelecido.
9. Os rastros brasileiros: proclamas de 1950, Diário Oficial e os túmulos#
- Edital de proclamas do casamento — DOE-SP, 18/05/1950, Judiciário p. 18: ele, "natural da Polônia, nascido em 12 de dezembro de 19[14]… ALFAIATE, filho de HER[Z] STOBIECKI e de dona RE[GINA]"; ela, "natural de Curitiba, nascida em 30 de ju[nho]". Dados novos: Clara nasceu em Curitiba (30 de junho) — e, pelo registro de sepultamento, era filha de David e Elca Schnaider.
- Chevra Kadisha SP (busca pública "Localize"): Mojsie Izrael Stobiecki, †18/10/2000 (20 Tishrei 5761), "filho de Herz Stobiecki & Regina Stobiecki" — Cemitério do Butantã, Setor O, Quadra 328, Sepultura 69 (próximo Yahrzeit: 01/10/2026). Clara (†19/09/2016): Butantã, R/410/117. um dos filhos (†2020): Embu.
- Acervo Estadão (datas exatas, páginas a um clique para assinante): avisos fúnebres dele em 16, 17, 18 e 19/11/2000 (caderno C — a janela do sheloshim) e 13–16/09/2001 (padrão de descerramento da matzeivá); os da Clara em 20/09/2016 e 2016–17.
- DOE-SP, outros: intimação de 30/01/1957; ação de despejo julgada contra "Moyses Israel Stobiecki" em 31/01/1969 (desocupação em 10 dias; liquidação e arquivamento até jul/1969) — um momento duro documentado; registros dos filhos nas décadas seguintes (reservados à família).
- Pista nova — Chaim Lajb Stobiecki: outro polonês do sobrenome em SP, com firma desde 1949 e empório de secos e molhados em Santo André (~1949–60; MS contra a Alfândega de Santos em 1960). Possível parente, não identificado; não sepultado pela Chevra SP.
- Hemeroteca BN: as ocorrências paulistas de "Stobiecki" (1950–80) concentram-se todas no Diário da Noite (SP), com pico em 1970–73 — identificação pendente do captcha de visualização (fica para a família).
- Negativos e bloqueios: Hospedaria do Brás = 0 (confirmado de novo); APESP/AtoM = 0 (o índice do DEOPS não está online); JusBrasil e FindAGrave atrás de Cloudflare; DOU/SIAN com captcha; FamilySearch exige conta (lá está o RNE dele — coleção "São Paulo Immigration Cards").
10. Cila Stobiecki Krawczyk — descartada como parente de sangue#
O artigo dela no livro memorial de Katowice diz explicitamente que os pais eram Krawczyk (Augusta/Genia e Andzei) — "Stobiecki" é o nome de casada. O marido poderia, em tese, ser parente, mas nada no material permite testar. Linha fechada como verificação negativa.
Rodada de 30/08/2026#
00. O cartão da família — o nome do caçula, uma irmã desconhecida, e os avós#
O achado que reorganiza tudo: o cartão de registro de moradores da família (kartoteka da cidade de Kalisz, lavrado em 1934), digitalizado pelo Arquivo Estatal de Kalisz — sygn. 4463, karta 219. Cópia verificada em docs/apkalisz-4463-karta219-familia-stobiecki-1934.jpg (com zooms). Nele:
Os cinco filhos de Hersz Aron e Regina (não quatro):
| # no cartão | Nome | Nascimento | Observação |
|---|---|---|---|
| 1 | Izrael ("Mojsie" sobrescrito) | 12/12/1914, Kalisz | exatamente a data que ele diz |
| 2 | Marjem (= Marisha) | 04/05/1919 | |
| 3 | Szyja (= Shia) | 06/03/1922, Kalisz | a memória dizia "~2 anos mais novo"; eram 7 |
| 4 | MAJER | 16/01/1929, Kalisz | o nome perdido do caçula, confirmado — e "Mayer" da ficha VHA bate. "Do menor a diferença era muito grande, sete, oito anos" [08:38]: Szyja→Majer = 7 anos. Tinha 10 anos na deportação |
| 5 | Frania | 03/02/1917, Kalisz | † agosto de 1930, Kalisz, aos 13 anos. Uma irmã que nenhuma memória registrou — nem a entrevista, nem a família. Morreu antes da guerra; Mojsie, em 1997, contava os irmãos que a guerra levou |
Mais o que o cartão e os vizinhos de caixa trazem:
- Hersz Aron: nascido 1886 em Błaszki (ato 56/1886 no índice JRI: 20/06/1886); pais Fajbuś e Krajndla (Koszerek); profissão kupiec (comerciante). Regina: nascida 1888 em Dobra (pow. turecki); pais Dawid Majer e [Marja] Szajniak — e no campo "nome de solteira" o escrevente de 1934 deixou um ponto de interrogação (a resposta viria 12 anos depois, na ficha DP: Grodans).
- Endereço: Nadwodna 10 — com os avós Fajbuś × Krajndla morando na mesma casa —; última mudança registrada: "[Parczew]skiego 12", outubro de 1938. Na cidade desde ~1908.
- Os tios, todos documentados (cartões vizinhos): Brana (1885), Rafał Ber (1890, Złota 14 — ver o item sobre Rafu no
../contexto/12-…), Szaja Majer (1898, alfaiate, foi a Łódź em 1917), Ajzyk (1901), Kasriel (~1902 — casado com uma filha de mãe Grandans: segundo laço entre as famílias). Avós: Fajbuś Stobiecki (n. 30/10/1861, Błaszki) × Krajndla Ryfka Koszerek (casamento: 17/01/1884, ato 2, Błaszki). Bisavós: Szaja Stobiecki × Brana Grynbaum. - Família materna (inferência forte via JRI): os Graudans de Dobra — provável tio Izrajel Graudans e irmãos em Koźminek, Strzałków, Kłodawa.
Consequência para a foto de 1938: Majer tinha 9 anos em julho de 1938 — o mapeamento da foto (que assumia dois irmãos adolescentes em pé) foi parcialmente reaberto; ver ../fontes/dados-biograficos.md.
Como acessar os cartões: https://zasobap.kalisz.pl/ → "Kartoteka miasta Kalisza" → pasta 4463, scans 0216–0233 (a família na 0224/0225). Alguns campos de outros cartões estão tarjados ("dane wrażliwe") — o AP Kalisz atende pedidos de cópia integral por e-mail.
0. O navio: vapor GROIX — confirmado com o nome dele na lista#
O acervo do Museu da Imigração voltou ao ar num endereço novo, e a busca por data fechou a questão: três navios atracaram em Santos em 06/12/1947 — dois costeiros nacionais e um único transatlântico: o vapor francês GROIX (Chargeurs Réunis), de Le Havre, via Casablanca e Rio. E a lista de bordo tem o nome dele, datilografado, na folha de temporários, linha 29:
Moysie Izrael STOBIECKI — 33, solteiro, polonesa, alfaiate, só, Israel[ita], última residência Paris, procedência Le Havre, destino Porto Alegre ("Colombo 2140"), 3ª classe — passaporte expedido 19.8.47 em Paris (a mesma data e local da carteira de admissão).
Classificação na folha de observações: "Temporário, art. 7º letra A, Dec. 7.967". Na mesma lista, outros oito judeus poloneses vindos de Paris. O registro da Hospedaria dos Imigrantes não tem entrada para ele. Prova: docs/groix-1947-12-06-lista-passageiros-santos.pdf (16 pp.) e os recortes docs/groix-lista-p13-linha29-*.png; fonte: BR_APESP_MI_LP_110455. Detalhe humano: o "destino Porto Alegre" é exatamente a casa dos parentes que o esperavam ([111:35]); e ele desembarcou seis dias antes de completar 33 anos.
1. O sobrenome da mãe está CONFIRMADO: Regina GRODANS#
O maior achado da rodada. A ficha A.E.F. de registro de deslocado do próprio Mojsie — Assembly Center 67, Heidenheim, Alemanha, 8 de junho de 1946 — traz, em letra de forma:
Full Name of Father: STOBIECKI HERSZ · Full Maiden Name of Mother: GRODANS Regina
É exatamente a palavra que ele diz em [06:28] e que estava marcada [Grodans?] na transcrição. Não é mais palpite: é documento preenchido com ele, 51 anos antes da entrevista. A ficha diz mais: nascido 12.12.1914 em Kalisz ; religião "Israelit"; apátrida (foi o que declarou); solteiro; profissão "TAYLOR" — alfaiate, o ofício do campo soviético; línguas iídiche, polonês, alemão, russo; e destino desejado: PALESTINA — em 1946, o sonho do Beitar ainda era o plano. O Brasil só entrou quando a resposta do amigo chegou.
Documento: Arolsen 69312025 — cópia em docs/arolsen-69312025-ficha-aef-dp-mojsie-1946-frente.jpg.
2. O nome do irmão caçula pode ser MAYER#
A ficha pública da entrevista dele no USC Shoah Foundation Visual History Archive (vha.usc.edu/testimony/35919) indexa as pessoas citadas — e lista os irmãos como "Mayer" e "Szia" (segmento 130), a irmã "Marisza", a mãe "Regina [Ruchel]" e uma prima paterna, "Sala Stobiecki".
Na fita, Mojsie não lembra o nome do caçula. Mas a Shoah Foundation preenchia com o entrevistado um questionário pré-entrevista (PIQ) — e é de lá que a indexação de 2005 provavelmente tirou "Mayer". Se for isso, o nome que se perdeu na fita ficou guardado no papel da mesma entrevista. Confirmação: pedir o PIQ da entrevista 35919 à USC (familiares podem; ver proximos-passos.md).
3. O buraco 1945–46 da cronologia foi preenchido com documentos#
Entre a baixa em Lodz e a chegada a Paris havia só "ficamos na Alemanha um tempo" [95:01]. Agora há papel:
| Data | Documento |
|---|---|
| 1945 | "Stobiecki Moniek, Kalisz" no Registry of Jewish Survivors do World Jewish Congress (p. 243) — registrado como sobrevivente na própria Kalisz |
| 08/06/1946 | Ficha A.E.F. no Assembly Center 67, Heidenheim (acima) |
| 16/08/1946 | Lista oficial de Stamsried, Landkreis Roding, Baviera — "Stamsried Nr. 111", sozinho |
Bônus de coerência: Stamsried fica a ~100 km de Nuremberg — ele estava na Baviera exatamente durante o julgamento a que diz ter assistido do portão [108:48]. E nos registros de DP ele usava o nome "Moniek". Há ainda um caso de rastreamento do ITS aberto em 1967 sobre ele ("Stobiecki, Izrael [Mojsie, Moniek]", T/D 200.483) — o conteúdo não está online; a família pode solicitá-lo gratuitamente ao Arolsen.
4. Possíveis parentes no Arolsen — não comprovados#
- Tauba Stobiecka, nascida 10/06/1923 em Kalisz, costureira — única outra Stobiecki de Kalisz em todo o índice. Rota paralela à dele: França 1946, Paris, emigrou para os EUA em 1950 (dossiê AJDC US.6235, acompanhada de Uscer Rotsztajn). Idade exata da geração dos irmãos.
- Josef Stobiecki (1901) e Rolka Stobiecka (1919) — registrados no mesmo campo de Heidenheim, nas linhas vizinhas à dele na lista da UNRRA.
Nenhum vínculo é afirmado; são as pistas mais quentes já encontradas para parentes sobreviventes.
5. Herz, Regina, Shia, Marisha e o caçula: negativos que valem registro#
- Arolsen: nenhum registro próprio de nenhum dos cinco (os nomes dos pais aparecem só na ficha do filho). Consistente: deportados de 1939 para o Governo Geral raramente geraram fichas.
- Yizkor books de Kalisz (4 volumes, 1960–1968): a família não é mencionada — verificado por busca no texto completo (OCR dos originais + tradução inglesa integral). E os livros não têm necrologia de vítimas onde eles pudessem constar.
- Yad Vashem: seguem sem registro (rodada anterior). As Páginas de Testemunho continuam sendo o único caminho — e agora com mais dados para preencher (Grodans; talvez Mayer).
6. A lista completa dos transportes de dezembro de 1939#
A deportação de Kalisz agora está documentada trem a trem: dez transportes, 15.862 pessoas, 2–14/12/1939 — os dois primeiros (02/12) para Lublin e Sandomierz. Fontes: M. Dean (USHMM Encyclopedia, via Wirtualny Sztetl) e a ficha de deportação do Yad Vashem. Detalhes e a tabela em ../contexto/05-warthegau-expulsoes.md.
7. O funil de Lublin: Bełżec e Majdanek#
Dos ~2.500 kaliszanos reassentados no distrito de Lublin, os primeiros transportes da Aktion Reinhard (mar–abr/1942) os levaram a Bełżec — ao menos 3.000 mortos lá; "só uma pequena parte" chegou a Majdanek. Mas: dos 337 sobreviventes de campos registrados pelo Comitê Judaico de Kalisz no pós-guerra, 5 voltaram de Majdanek — e é justamente a existência de uma sobrevivente (a vizinha) que sustenta Majdanek no relato dele. Análise recalibrada em ../contexto/12-destino-judeus-kalisz.md.
8. O artigo da Acta Humanitatis foi recuperado — e rebaixado#
The Holocaust of the Jews in Kalisz, 1939–1945 (Tomasz Wierzchowski, 2025) está íntegro em docs/wierzchowski-2025-….pdf (via Wayback Machine). Lido: diverge da historiografia consolidada (destinos, datas, números) e tem inconsistências internas. Deixou de ser "a fonte mais específica" para ser fonte de apoio, com cautela. Quem manda no assunto é Dean/USHMM + Yad Vashem.
9. O documento tido como "a ketubá de 1950" é outra coisa#
O documento hebraico do slide 8 é um contrato de noivado (tenaim) em formulário europeu com o ano impresso "שנת תר__" — isto é, anterior a setembro de 1939. Não é do casamento de Mojsie e Clara em São Paulo. De quem é o noivado, ainda não se sabe (o furo da dobra destruiu o ano; a cursiva iídiche não é legível na resolução do PDF). A tradução profissional ficou mais valiosa, não menos. Análise em ../fontes/fotos/README.md.
10. O endereço está confirmado — e o slide 3 precisa de revisão#
A contradição de endereço (§8.3 do briefing) foi resolvida a favor da entrevista:
- A Księga Adresowa Polski de 1929 lista, entre os alfaiates (krawcy) de Kalisz: "Stobiecki H., Nadwodna 12" — e Nadwodna é o nome que a atual aleja Parczewskiego teve até 1937. Ou seja: Herz está documentado, em 1929, exatamente no número 12 da rua que Mojsie nomeia na entrevista ("Parczewskiego 12" era o nome oficial nos últimos anos dele em Kalisz). É a primeira aparição de Herz num documento encontrada por este projeto.
- A esquina Kanonicka × Nadwodna/Parczewskiego existe desde 1820 — compatível com "loja na Kanonicka, morávamos no mesmo prédio".
- Śródmiejska 14 (o prédio do Street View no slide 3 da apresentação do bisneto) fica a ~300 m dali, numa rua que nos anos 1930 se chamava Piłsudskiego (antes Wrocławska) e nunca se chamou Kanonicka. Não pode ser o mesmo prédio. O slide 3 merece reexame pela família.
- Bônus do mesmo livro: "Stobiecki R., Złota 1" — outro alfaiate Stobiecki em Kalisz, candidato natural a ser o Rafu Stobieski do Yad Vashem (alfaiate, n. 1890). E dois alfaiates vizinhos na mesma rua do Herz — Michałowicz Ch. (Nadwodna 15) e Litmanowicz J. (Nadwodna 18) — candidatos aos "vizinhos do mesmo ramo do meu pai, da mesma rua" reencontrados no Bom Retiro [112:26].
Provas: docs/kap1929-krawcy-stobiecki-nadwodna12-zoom.png (o recorte legível), docs/kap1929-kalisz-P0848-krawcy.pdf (a página), docs/kalisz-plano-1927-*.png (o plano de 1927 com "NADWODNA" e a esquina). Fontes de nomes de ruas: Fundacja Nasza Historia (Parczewskiego · Kanonicka · Śródmiejska).
11. A transcrição melhorou com a passada dirigida#
23 janelas reprocessadas com beam 8 e prompt de vocabulário: 10 marcações resolvidas ou promovidas (entre elas Shedlitz [Siedlce], "vai ter outra guerra", "morria dentro do trem", e — a mais importante — a leitura "…danek" no trecho [88:13], "Todos morreram no [Majdanek?]", que pode ser a segunda menção dele ao campo). Metodologia e tabela completa nas notas de ../transcricao/01-verbatim.md.
O que continua bloqueado ou em aberto (rodada de 30/08)#
| Alvo | Situação |
|---|---|
| Nome do navio (Santos, 06/12/1947) | Museu da Imigração seguia fora do ar; pesquisa na Hemeroteca da BN em andamento |
| Registros civis judaicos de Kalisz (nascimento de Mayer?, casamento Hersz × Regina Grodans) | Geneteka atrás de bloqueio Incapsula; JRI-Poland/Szukaj w Archiwach em andamento |
| Endereço (Parczewskiego 12 × Kanonicka × Śródmiejska 14) | pesquisa de geometria e nomes históricos de ruas em andamento |
| Vídeo da entrevista em qualidade de arquivo | o VHA fornece cópia a familiares — sfiaccess@usc.edu |
Rodada de 29/08/2026 (etapa 2)#
1. A correção mais importante — e ela é de um erro meu#
Na primeira transcrição, o segmento [55:43] saiu como "E meus pais, minha e toda a família moraram lá". Está errado. Reprocessando o trecho isoladamente, nas duas versões do áudio (bruto e tratado), o resultado é idêntico e inequívoco:
[55:43] "E meus pais, minha e toda a família morreram lá."
Dito dentro da narração de Majdanek, logo depois de "dormimos nas mesmas camas onde eles tinham dormido".
Consequência: a tradição familiar sobre Majdanek não é tradição oral degradada. É o que ele diz, na fita, com todas as letras. Os três arquivos de transcrição foram corrigidos.
2. A rota de Kalisz até Lublin ficou documentada#
Antes desta pesquisa, a ligação entre Kalisz e Majdanek era um salto. Agora tem estrada:
- Kalisz foi anexada ao Reich (Warthegau), território que devia ser esvaziado de judeus.
- As expulsões começaram em 10 de novembro de 1939, pelas ruas mais ricas primeiro, para instalar alemães bálticos. Dez minutos para arrumar as malas.
- ~10 mil judeus foram mantidos no mercado coberto, onde estourou uma epidemia de tifo.
- Partiram quatro grandes transportes, o último em 12 de dezembro de 1939. Um foi para Lublin; os outros para Sandomierz, Kałuszyn e Łuków.
- Judeus de Kalisz estão documentados entre as vítimas de Bełżec, Treblinka e Majdanek.
O perfil da família — rua central, prédio próprio, loja no térreo, porão cheio — é exatamente o que foi visado na primeira leva. E Mojsie saiu de Kalisz semanas, talvez dias, antes.
Detalhe que reforça a hipótese de Majdanek: a vizinha sobreviveu para contar. Bełżec teve sete sobreviventes conhecidos; Treblinka e Sobibór, algumas dezenas. Majdanek teve milhares. Que uma testemunha tenha estado com a família e voltado a Kalisz aponta para um campo com sobrevivência possível.
Análise completa em ../contexto/12-destino-judeus-kalisz.md.
3. A deportação dele tem data#
28–29 de junho de 1940. Os soviéticos deportaram ~75 mil refugiados vindos da zona alemã — os bieżeńcy —, dos quais, segundo fontes do próprio NKVD, mais de 84% eram judeus. Destinos: 251 assentamentos especiais, sobretudo em Arkhangelsk, Vologda e Komi, além da Sibéria e do Cazaquistão.
É o perfil exato dele, e valida a descrição do trem "99% de judeus".
4. O episódio de Tashkent deixou de ser anedota#
A recusa dele em barrar judeus de uma fila de almoço, em Tashkent, se encaixa numa política documentada: no Exército de Anders, os soviéticos proibiram o alistamento de judeus residentes nos territórios anexados em novembro de 1939, e a discriminação era sistemática. Os judeus caíram de ~40% dos alistados no verão de 1941 para 5% do efetivo evacuado.
5. Stalingrado não fecha#
A 1ª Divisão Kościuszko formou-se em maio de 1943 — três meses depois do fim da batalha de Stalingrado. Nenhuma unidade polonesa sob comando soviético esteve lá. O primeiro combate dele foi quase certamente Lenino, 12–13 de outubro de 1943, com 25–33% de baixas em dois dias — onde o ferimento na mão esquerda se encaixa.
Três leituras possíveis estão em ../contexto/10-berling-lenino.md. Nenhuma foi adotada como fato.
6. O decreto da carteira dele é uma lei de seleção étnica#
O Decreto-Lei 7.967/1945, citado à mão na carteira de admissão, declara buscar "preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência europeia". Em 1948, uma circular orientava consulados brasileiros a "não visar passaportes de judeus".
Entre 15 e 20 mil sobreviventes entraram assim mesmo — boa parte com visto de turista, que é literalmente o que ele fez e descreve em [111:54].
7. Yad Vashem: a família não está registrada#
Busca no Banco Central de Nomes das Vítimas da Shoá, em 29/08/2026.
Herz, Regina, Shia, Marisha e o irmão caçula não constam. Nenhum deles. O banco reúne ~5 dos ~6 milhões de assassinados; a família está entre o milhão que segue sem nome.
Buscando Stobiecki + Kalisz aparecem cinco vítimas de outra família: Rafu (1890, alfaiate), Leah (1895, professora) e as filhas Sonia (1925) e Bronia (1929) — todos mortos em Auschwitz, nas câmaras de gás —, mais Fania Stobitzki. As fichas foram submetidas por descendentes.
Rafu era alfaiate em Kalisz, com o mesmo sobrenome. Mojsie diz que o pai tinha quatro irmãos na cidade e mostra a foto de um deles, "ele quase criou nós". Parentesco plausível, não provado.
Variantes de "Hersz Stobiecki" no banco vêm de Łask, Łódź, Pajęczno e Wieluń — todas na região de Błaszki, onde Herz nasceu. O sobrenome é dali. Nenhum registro é de Kalisz.
O que não deu certo#
| Alvo | O que houve |
|---|---|
| Artigo acadêmico The Holocaust of the Jews in Kalisz, 1939–1945 (Acta Humanitatis) | PDF retorna 403. Vale recuperar — é a fonte mais específica sobre o tema |
| Portal Sztetl (sztetl.org.pl), verbete de Kalisz | 403 |
| Acervo digital do Museu da Imigração (listas de bordo de Santos) | Servidor inacessível daqui. É onde está o nome do navio |
| Arolsen Archives | Não consultado — fica para a próxima rodada |
| Registros civis judaicos de Kalisz (JewishGen / Arquivo Estatal) | Não consultados — é a via mais provável para o nome do irmão caçula |
O que continua sem resposta#
- O nome do irmão caçula. O próprio Mojsie já não lembrava em 1997 ([127:50]). Só documento resolve.
- O que aconteceu com Marisha. A pergunta que ele levou para o túmulo.
- O sobrenome de solteira da mãe —
[Grodans?], dito uma única vez. - O nome do noivo de Marisha, morto no início da guerra.
- O nome do navio que o trouxe a Santos.
- O topônimo do primeiro campo soviético — ele diz
[Kronstadt?]quatro vezes. - Parczewskiego 12 / Kanonicka / Śródmiejska 14 — qual é o endereço, e se são o mesmo prédio.