O que ele conta#
[01:50] "Eu nasci na cidade, na Polônia, que se chama Kalisz. K-A-L-I-S-Z." [02:07] "Média, uma cidade média, mais ou menos de 120 mil habitantes. Era mais ou menos 20, 30% de judeus." [02:22] Fica perto de Lodz. [09:47] "Mas nós tivemos nessa nossa cidade, Kalisz, um shil muito grande, de 5 mil lugares." [10:12] "O endereço da minha casa era a rua Parczewskiego, número 12. Do lado onde nós tivemos uma loja de confecções, chamava Kanonicka. E morávamos no segundo andar, no mesmo prédio." [10:41] "A vizinhança era muito boa. Lá não tinha portas fechadas. (...) Eram judeus e não judeus."
O que se sabe#
Kalisz é uma das cidades mais antigas da Polônia e tinha uma das comunidades judaicas mais antigas do país — documentada desde o século XII. O Estatuto de Kalisz, outorgado em 1264 pelo duque Bolesław, o Piedoso, foi a carta fundadora dos direitos dos judeus na Polônia.
População. O censo polonês de 1931 registrou 15.300 judeus em Kalisz, quase 30% da população total. Em 1939, às vésperas da invasão, a comunidade passava de 20 mil pessoas — algumas fontes falam em 25 a 30 mil, contando os que chegaram de outras localidades.
A estimativa dele — "20, 30% de judeus" — está correta. Já o número de habitantes que ele dá, 120 mil, é alto: Kalisz tinha cerca de 80 mil em 1939. É a memória inflando a cidade da infância, não um erro que comprometa o resto.
Economia. Kalisz era conhecida pela produção de rendas e têxteis. O bairro judaico se concentrava na rua Nowa, com todo tipo de comércio — livrarias, tavernas, bancas de jornais em hebraico e ídiche, açougues, peixarias, lojas de roupa. O comércio também acontecia na ponte sobre um braço do rio Prosna. A confecção era um ramo judaico típico da cidade, e é exatamente o ramo de Herz Stobiecki.
As sinagogas. A Grande Sinagoga e a casa de estudos ficavam na rua Nowa. Ambas as sinagogas de Kalisz foram destruídas pelos alemães: a Grande Sinagoga foi saqueada e depois demolida. Durante a ocupação, chegou a servir de alojamento para prisioneiros de guerra poloneses.
A rua Kanonicka, onde ele situa a loja da família, é documentada como uma das ruas de forte presença judaica de Kalisz.
Onde bate e onde não bate#
| Ele diz | Verificação |
|---|---|
| 20–30% de judeus | Confere (30% em 1931) |
| 120 mil habitantes | Alto; Kalisz tinha ~80 mil |
| Perto de Lodz | ~100 km |
| Loja de confecções | Ramo tipicamente judaico em Kalisz |
| Loja na Kanonicka | Rua de presença judaica documentada (em 1929: Knaster i Laskowski na Kanonicka 2, Goldman Jak. na Kanonicka 5 — ambos do ramo de roupas) |
| Parczewskiego 12 | Confirmado por fonte primária (30/08/2026): a Księga Adresowa Polski de 1929 lista o alfaiate "Stobiecki H., Nadwodna 12" — Nadwodna era o nome da rua até 1937, quando virou Parczewskiego. A esquina com a Kanonicka existe desde 1820 |
| Sinagoga de 5 mil lugares | Não confirmado. A Grande Sinagoga existiu na rua Nowa e era grande, mas não achei fonte que confirme a lotação |
| Judeus e não judeus no mesmo prédio, "não tinha portas fechadas" | Coerente com a estrutura urbana de Kalisz, sem gueto no período entreguerras |
A divergência de endereço — resolvida em 30/08/2026 a favor da entrevista. O endereço que ele diz ("Parczewskiego 12, loja na Kanonicka") está confirmado pelo livro de endereços de 1929 e pela esquina, que existe desde 1820. Já a Śródmiejska 14 do slide do bisneto fica a ~300 m dali, numa rua que nos anos 1930 se chamava Piłsudskiego (antes Wrocławska) e nunca se chamou Kanonicka — não pode ser o mesmo prédio. O Street View do slide 3 merece reexame pela família. Provas e detalhes: ../pesquisa/achados.md (item 10) e ../pesquisa/docs/.