Entrevista de Mojsie Izrael Stobiecki, 25 de novembro de 1997, São Paulo. Survivors of the Shoah Visual History Foundation — entrevista 35919. Entrevistadora: Ita Liberman. Videógrafo: Paulo Gustavo Medeiros Albano. Duração: 2h17min14s. Idioma: português.
Os arquivos#
| Arquivo | O que é |
|---|---|
01-verbatim.md | O que foi dito, como foi dito. Preserva a sintaxe polonesa, as repetições, as hesitações e os erros de português dele. É o documento histórico. |
02-revisada.md | O mesmo conteúdo em português corrigido e legível. Para citar, ler e usar no projeto. |
03-indice.md | Índice temático com timestamps, para navegar no vídeo. |
mojsie-1997.srt | Legendas para abrir junto com o vídeo em qualquer player. |
Convenções#
[MM:SS]— posição no vídeo. Toda fala começa com uma. Falas longas ganham âncoras a cada ~30 s.- ITA — a entrevistadora. MOJSIE — o entrevistado. CLARA, RAQUEL — falam no encerramento.
[?]— trecho ou nome sobre o qual há dúvida real. Não foi chutado.[palavra]— palavra inserida por mim para completar uma frase truncada; sempre entre colchetes....— hesitação ou frase que ele interrompe. É dele, não corte meu.
O que foi corrigido no verbatim, e o que não foi#
Foi corrigido: erros do reconhecimento automático de fala — a máquina ouviu "índios" onde ele diz "judeus", "cachê" onde ele diz "kosher", "chio" onde ele diz "shil", "um gelador" onde ele diz "um zelador". Isso não é o que ele falou; é ruído de máquina.
Não foi corrigido: o português dele. "No Bialystok", "eu era mocinha, menino ainda", "eu servia exército", "morreram todos" — tudo permanece. Ele era polonês, chegou ao Brasil aos 33 anos e falava assim. A maneira como ele fala é parte do documento.
Polonismos e iidichismos preservados: bagneta (baioneta, do polonês bagnet), carabina (fuzil, de karabin), shil (sinagoga), cheder (escola religiosa infantil), Yontef (Yom Tov, dia santo), gemeinde (comunidade), kapote (o casaco comprido dos religiosos), kosher.
Ressalva sobre cronologia#
Mojsie tinha 83 anos e avisa duas vezes que se confunde — "me atrapalha um pouquinho, não sei se foi depois ou um pouquinho antes" (85:03). A ordem em que ele conta não é a ordem dos fatos, e há um ponto de contradição real: em 41:33 ele diz que o trem de Białystok foi para Karaganda, mas em 60:44 descreve ter ido primeiro para um campo de trabalho perto de Leningrado. A transcrição preserva a ordem da fala. A reconstrução cronológica está em 03-indice.md.