Nova seção do site (decisão 29, pedida pelo Flavio em 01/09/2026): um passo-a-passo compartilhável para que outras famílias remontem a jornada dos seus — com IA como ferramenta e com o método como proteção. Este doc é a concepção; o texto final do guia é conteúdo do site (fase de produção). A credencial do guia é o próprio site: "foi assim que reconstruímos esta história — do nome perdido do caçula ao navio da chegada."
Forma#
- Página própria:
zeide.fpripas.com/guia(EN:/guide) — linkada no rodapé de todo o site e na home ("faça pela sua família"). - 8 passos, cada um com: o que fazer · como a IA ajuda · a armadilha · um exemplo real desta pesquisa (com link para a peça no nosso Arquivo).
- Extras para download: checklist de uma página (PDF) · modelos de e-mail para arquivos (versões genéricas dos nossos pedidos) · a lista de portais por país.
- Tom: generoso, concreto, sem jargão; ferramentas citadas genericamente ("um assistente de IA", "whisper para transcrição local"), sem propaganda.
Os 8 passos (esboço do conteúdo)#
Passo 1 — Junte o que a família já tem#
Depoimentos gravados ( a Shoah Foundation tem ~55 mil testemunhos — familiares podem pedir cópia: muita gente não sabe), fotos e papéis de gaveta, trabalhos escolares de netos, memórias dos mais velhos. Exemplo nosso: tudo começou com 1 vídeo de 1997, 1 PDF escolar do bisneto e a memória da família. Armadilha: adiar as perguntas aos vivos — a memória viva é o arquivo mais frágil.
Passo 2 — Transcreva o depoimento (IA local, regras rígidas)#
Whisper (modelo grande) roda no próprio computador — o áudio não sai de casa. As regras que importam mais que a ferramenta: verbatim sagrado (o português "errado" do sobrevivente é documento), nunca chutar nomes (dúvida vira [?]), duas trilhas (fiel + legível), timestamps em tudo. Lições técnicas: áudio bruto (tratado piora), desligar o contexto entre blocos (loops), conferir repetições. Exemplo nosso: a máquina escreveu "moraram lá"; era "morreram lá" — a frase mais importante da fita. Reprocessar trechos críticos isoladamente é obrigatório.
Passo 3 — Estruture antes de pesquisar#
Uma página de dados canônicos (nomes com variantes de grafia, datas, lugares) e uma linha do tempo em que cada linha declara a fonte: ENTREVISTA hh:mm / DOCUMENTO / HISTÓRIA / INFERÊNCIA. Preserve as contradições do depoente em vez de "corrigi-las". Exemplo nosso: Stalingrado não fecha com a unidade dele — as duas versões estão lado a lado até hoje.
Passo 4 — Os arquivos gratuitos do mundo (o roteiro)#
A lista comentada, cada um com o que dá e como buscar (IA ajuda a formular variantes de grafia e a ler resultados em polonês/alemão/hebraico):
- Arolsen Archives (sem cadastro) — DPs, campos, rastreamento. Nosso: a ficha de 1946 com o sobrenome de solteira da bisavó.
- Yad Vashem — nomes, deportações e a busca de documentos (listas nominais!). Nosso: os tios em Annopol.
- USHMM Holocaust Survivors and Victims Database + Document Request (gratuito, remoto).
- JDC Archives Names Index. Nosso: a partida de Paris, navio e dossiê.
- USC Shoah Foundation VHA — a ficha pública indexa nomes que a fita não diz. Nosso: o nome do caçula.
- Polônia: Geneteka, JRI-Poland, Szukaj w Archiwach, os arquivos estatais ( kartoteka de moradores — o nosso achado central), livros de endereços (KAP 1929), Yizkor books.
- Brasil: Museu da Imigração (listas de Santos!), Hemeroteca da BN, Diários Oficiais, FamilySearch (RNE), Chevra Kadisha. (Cada país da diáspora tem os seus — o guia lista os do Brasil e ensina a lógica.)
- Arquivos militares, memoriais de campos (consultas nominais de família).
Passo 5 — O método que protege dos erros#
- Grau de certeza em tudo: confirmado / provável / hipótese — e escreva o grau junto do achado.
- Homônimos são a regra, não a exceção. Exemplo nosso: DOIS Ajzyk Stobiecki nascidos na mesma cidadezinha em 1901 — atribuímos uma morte ao tio e tivemos que corrigir para o primo em 24h. O guia conta esse erro de propósito.
- Verifique com os próprios olhos: a IA lê índices; a prova é o scan. Datas de índice divergem do manuscrito.
- Negativo também é achado: registre onde a busca termina (fundos não digitalizados, lacunas).
- A IA alucina e induz: prompts com "vocabulário candidato" contaminam transcrição; rode com e sem, compare.
Passo 6 — Escreva aos arquivos (os humanos do outro lado)#
Como pedir: identificar-se como família, citar referências exatas (a pesquisa online serve para isso), uma pergunta clara por pedido. Modelos genéricos para: Arolsen, USC, JDC, arquivo estatal, memorial de campo, Páginas de Testemunho no Yad Vashem (o ato que qualquer família pode fazer — e o mais importante). O que a IA não faz: contas, captchas, formulários — esses cliques são seus, e é certo que sejam.
Passo 7 — Ética e limites#
Privacidade dos vivos; não contatar submissores de fichas memoriais por impulso (é decisão de família); direitos das fontes ao republicar; respeito ao que o depoente escolheu não contar; e honestidade acima de fechamento — "não sabemos" é uma resposta digna.
Passo 8 — Preserve e conte#
Catálogo com IDs estáveis e proveniência de cada peça; os arquivos-fonte em texto simples (durabilidade); backup em três lugares; e por fim a forma de contar — um site, um livro, um vídeo de família. Exemplo nosso: este site inteiro.
Encerramento do guia (rascunho de tom)#
"Começamos com uma fita de 1997 e um nome que o próprio avô já não lembrava. Terminamos com o nome — Majer —, com uma irmã que ninguém sabia que existiu — Frania —, e com o navio, a rua, a lista de bordo. Os arquivos guardaram o que a memória não pôde. Vá buscar os seus."
Pendências desta seção#
- [ ] Escrever o texto final PT (fase de conteúdo) e EN
- [ ] Gerar o checklist PDF e os modelos genéricos de e-mail
- [ ] Decidir se o guia menciona ferramentas por nome ou só por categoria (default: categoria, com uma nota de rodapé sobre o que usamos)